VICE-PGR ACUSADO DE BURLA E TENTATIVA DE MORTE

O vice-Procurador Geral da República, Adão Adriano António e o seu representante, Baptista Canga Mateus estão a ser acusados de burla e tentativa de morte de um cidadão que responde pelo nome de Mateus Francisco António João, alegado proprietário de duas quintas, localizadas nas imediações do Kikuxi, município de Viana, em Luanda, que os visados teriam se apropriado para à construção de várias residências.

Escrivão José, em entrevista concedida ao Jornal Hora H, a vítima contou que o actual procurador militar, usou o seu testa-de-ferro, Baptista Canga Mateus que o havia contactado com o argumento de que precisava de duas quintas para a construção de um condomínio e em troca daria doze casas, caso eu aceitasse o contrato. “Afinal era uma burla organizada por eles”, lamentou. Para apurar a veracidade dos factos, a equipa de reportagem do Jornal Hora H, deslocou-se às duas quintas localizadas no Kikuxi e constatou-se a construção de várias residências numa das quintas e na outra está a ser comercializada em parcelas.

Durante o tempo de pouco mais de duas horas em que a equipa do Hora Ha permaneceu no local, registou a presença de um oficial das Forças Armadas Angolanas (FAA) que alegou ser proprietário de uma das parcelas que já havia sido comercializada pelos supostos burladores, que segundo a fonte, são protegidos pelo vice-PGR, Adão Adriano António. Em entrevista no local, Mateus Francisco António João que advoga ser o legítimo proprietário das quintas, exibiu os documentos que para ele, atestam a titularidade das referidas parcelas, tendo dito que “antes dos burladores começarem com a construção da obra, assinamos documentos e reconhecidos pelo notário com o representante da empresa “GRU MATFIFI-COMÉRIO GERAL E PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS”, pertencente a Baptista Canga António.

O cidadão que lamenta a “má-fé” dos “burladores”, descreve que os mesmos começaram com a construção das residências na primeira quinta e para o seu espanto, depois de algum tempo, os funcionários que lá trabalhavam, o informaram que todas as casas já estavam vendidas sem no entanto “eles honrarem com o que se assinou nos acordos”.  Segundo Mateus Francisco João, conheceu o procurador Adão Adriano António há muitos anos, porque o mesmo é conterrâneo da sua mãe, foram se familiarizando e com a profissão de mecânico que exerce foi assistindo as viaturas do referido procurador gratuitamente.

“E quando decidi vender as minhas quintas, contactei-lhe para servir de meu suporte, mas o mesmo usou a ganância, colocando à frente o tal Baptista Canga, para aparecer como suposto empresário para me burlarem”, disse o lesado. Contou que ele, a família e os meus funcionários, foram detidos várias vezes sob ameaças de mortes, supostamente “pelo senhor Baptista Canga”. “Sempre que me prendiam, o procurador fazia-se de anjo e me tirava da cadeia, usando as suas influências, e só mais tarde é que dei conta que os dois são coniventes na burla que sofri e nesta altura as casas estão feitas numa das minhas quintas, venderam as residências e repartiram o dinheiro, e isso que estou a falar tenho documentos que provam isso”, denunciou o cidadão.

Em denuncia a esta publicação, Mateus Francisco António João apontou nomes de pessoas que alegadamente pretendem atentar contra à sua vida. “Quem me ameaçou de morte directamente foi o Baptista Canga, Anderson, amigo e sócio de Baptista Canga, e tantos outros como Bebucho, Tito que é irmão do Anderson, Osvaldo, o agente da polícia Caetano e o Abel, que é irmão do Baptista Canga”.

Numa das detenções que sofreu, disse, foi numa das suas quintas “onde o Baptista me encontrou e fazia-se acompanhado com três polícias dos Serviços de investigação Criminal (SIC), que ameaçaram e me levaram na esquadra de Viana, e quando cheguei lá liguei ao procurador Adão Adriano, e por meio de telefonema mandou o oficial dele de campo para intervir, aí fui solto”, frisou a vítima.  Mateus António disse ainda ao “Hora H” que, apesar de temer pela sua vida, não vai desistir do processo, pelo que, está disposto a ir até as últimas consequências porque o assunto vai se tornando público e acredita na justiça do país, por mais que demora a chegar.

A fonte salientou por outro lado que, quando começaram as perseguições teve que se refugir na vizinha República da Namíbia (Windhoek), para não ser morto por pessoas que na sua visão são “poderosa financeira e politicamente e só voltei porque o país hoje soa novos ventos na governação”. Disse que a sua segunda quinta tem uma dimensão de mais de 2 hectares “e pelo que se vê hoje está a ser construída e vendida e a prova disso são pessoas que aqui se encontram, pois acredito que vieram ver o terreno que adquiriram”. “Estes marginais estão a vender aos poucos o terreno e só espero que com as ações que intentamos nas instituições do Estado que se faça justiça”, clamou Mateus Francisco João António. Ao Hora H, a vítima enfatizou que do contrato que foi assinado, ele (Mateus Francisco António João) teria doze casas, mas lamenta que “infelizmente hoje nem uma casa de banho deram-me, pois, tudo não passou de uma burla”, para quem o contrato de parceria que tinha sido assinado era apenas para entrarem nos sues terrenos que os mesmos já conheciam e “fizeram que eles bem entendessem, vendendo os espaços às pessoas”. Afirmou que tem todos documentos que testemunham a titularidade das duas quintas. “Podem ir até ao Gabinete de Desenvolvimento e Aproveitamento Hidráulico do Kiku xi (GADAHKI), vão ver que sou o legitimo proprietário e já entreguei as provas às instâncias de justiça do país”.

Mateus Francisco João recordou que nas suas quintas plantava mandioqueiras, manqueiras. No local, disse, havia uma casa de argila, um contentor de quarenta pés, viaturas que os generais recebiam e quando ficavam avariadas eram reparadas no mesmo espaço. “Estava a pensar fazer deste espaço uma grande oficina, já estava aqui guardado o carro do actual Procurador-Geral da República, Hélder Pitta Grós e do  voce-procurador, Adão Adriano António. Na descrição que faz a esta publicação, o lesado relata que quando se apercebeu que o contrato de parceria já estava a ser violado e as casas que estavam a ser construídas já tinham sido vendidas, convidou os seus funcionários e alguns familiares para tomar conta do espaço.

“Na medida em que os compradores apareciam, fomos dizendo que aquilo é minha propriedade”, disse. Segundo disse, foi assim que os compradores foram fazendo pressão ao general Adão Adriano uma vez que já haviam pago as suas verbas. “Na altura, o actual actual procurador militar, mandou-me chamar no seu gabinete, na Procuradoria Militar e me prometeu quatro milhões de Kwanzas, mas recusei a oferta pelo facto de a quinta estar acima do preço que era garantido”. Para Mateus Francisco António João, o procurador Adão Adriano, queria corromper numa propriedade que alega ser sua. “Tudo que estou a falar está escrito em documentos que eles assinaram e eu não assinei.

Numa das quintas os mesmos construíram várias residências e denominaram aquilo como condomínio “Dois Amigos do Kikuxi – AB (Anderson & Baptista)”. Na denuncia, o cidadão indefeso frisou que mesmo estando foragido fora do país, o Procurador Adão Adriano terá usado o poder que o mesmo possui e mandou para o seu espaço efectivos das forças armadas do Posto de Comando Unificado (PCU) que teriam amarrado os seus funcionários, expulsaram as suas famílias que se encontravam no local. “Temos provas de tudo que estamos a falar”, afirmou Mateus Francisco António João à reportagem do Jornal Hora H.

Para o cruzamento dos factos em obediência ao princípio do contraditório, este semanário escreveu para o Procurador Adão Adriano António, no dia 04 do corrente mês e no momento em que entregávamos a carta, o magistrado estava no seu gabinete, tendo permitido a entrada da nossa equipa para “uma conversa”. Já no interior da Procuradoria Militar, o acusado pediu que a nossa equipa deixasse na secretaria os telemóveis e o material de trabalho para reportagem. Entretanto, ao tomar a palavra em reacção às denuncias, Adão Adriano, que se fazia acompanhar de um sargento, disse que todas as acusações que pesam sobre si são infundadas.

“É mentira, porque eu não sou capaz de ameaçar alguém de morte, até ofender nunca o fiz a ninguém, muito ameaçar de morte”. “Eu tinha ele como um filho e achas mesmo um pai vai ameaçar o filho de morte? Ele só se virou contra a minha pessoa porque parei de lhe proteger das falcatruas que cometia, se vocês quiserem publicar esta matéria lêem primeiro à entrevista que dei no jornal O Crime datada de 21 de Julho de 2018 e tiram de lá o contraditório que falei sobre este assunto”. Para terminar Adão Adriano, ameaçou o “Hora H”, “caso publicarem vocês vão arcar com as consequências…”

Por outro lado, contactamos Baptista Canga Mateus representante da empresa “GRU MATFIFI-COMÉRIO GERAL E PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS LDA, o mesmo não atendeu os vários telefonemas feitos pela nossa equipa, ainda enviamos uma mensagem a questionar sobre o assunto, tendo respondido pela mesma via nos seguintes termos “vai ao SIC e ao Tribunal, jornalista de verdade investiga e não vai para conversas de maluco”, disse.

Fonte: Jornal Hora H

© 2019 A VOZ DE CABINDA – MBEMBU BUALA, PELA VERDADE E JUSTIÇA – CABINDA ACIMA DE TUDO E DE TODOS

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