PARADOXOS DO COMBATE À CORRUPÇÃO

A bandeira do combate à corrupção foi levantada pelo MPLA através do seu Presidente João Lourenço que prometeu fazer um cerco contra essas práticas que deixaram o Estado refém de um grupo que foram rotulados por marimbondos. Apesar de registarmos alguns casos que envolvem generais, ministros e administradores municipais, à corrupção continua a encontrar terreno fértil para a sua germinação no pós José Eduardo dos Santos.

Não vamos falar da má gestão do Fundo Soberano canalizado pelo Plano Integrado de Intervenção nos Municípios nem tão pouco das mil e uma forma que os administradores municipais encontram para enriquecerem ilicitamente muito menos de casos como do Edeltrudes Costas e os Lussaty, mas sim da nova forma de corrupção entre entidades públicas e supostos activistas. Nuno Dala pesquisador e activista, acusa às autoridades angolanas de corromperem um grupo de jovens do município de Viana com vista a cancelarem uma manifestação por eles convocada pela destituição do Presidente João Lourenço. Essa manifestação teria lugar no dia 26 de Junho de 2021, sairia numa marcha da Santana até ao Palácio Presidencial.

Pelo cartaz qualquer amador poderia perceber que os jovens estavam claramente a chantagear as autoridades com vista a mixarem e conseguiram despertar à atenção dos corruptos do MPLA. Numa imagem do tipo printscreen que está a circular nas redes sociais, o jovem Mutu Muxima em diálogo com amigo cita o Bento Bento secretário do MPLA como sendo o patrão que ao contrário da denúncia do Nuno Dala de 10 milhões de kwanzas, eles próprios falam em 5 milhões. Porém é impressionante que o Presidente da República na sua página do Twitter em alusão ao acto dos mesmos aparecerem na televisão com capuzes e cobertos com máscaras de biossegurança aos pedidos de desculpas às autoridades, especialmente ao João Lourenço.

Para os Revús, foi uma imagem triste passada pela televisão pelo facto dos órgãos de comunicação social ignorarem todos os eventos promovidos pelos Revús iniciativas educacionais, cívicas voltadas para comunidade e para contribuir por um desenvolvimento sustentável. A mídia prefere reproduzir maus exemplos sociais praticados por jovens que vivem no limiar da pobreza, desempregados, desocupados que procuram chantagear as autoridades com convocatórias de manifestação sem causas. É preciso pois saber distinguir os activistas em Angola: Existem àqueles que são pelos direitos civis e políticos, pelas Autarquias locais, pelo fim do elevado custo de vida, pela despartidarização das instituições públicas, pela reforma do Estado, contra o Manico na CNE e contra a impunidade do Edeltrudes Costas e àqueles que aparecem na mídia aos pedidos de desculpas mesmo sem ter culpas de nada.

Não é a primeira nem a segunda vez que os órgãos de comunicação pública dão importância a coisas sem importância, mas com propósito único de desinformar o povo e o mais agravante são os aplausos presidências por um acto que em nada dignifica a sua governação, antes pelo contrário demostra um paradoxo no âmbito do combate à corrupção.

Por Hitler Samussuku

Foto Folha 8

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