Quatro anos com João Lourenço: ilusões, desilusões e (ainda?) esperanças

No dia 26 do mês de Setembro findo, fez 4 anos que João Lourenço tomou posse, na nobre função de 3º Presidente da República de Angola. Homem da minha geração de políticos, dentro do partido MPLA, com um discurso de pré campanha, em que, em Maputo, deselegantemente, chamou a oposição de cá e de lá de “malandros”, apareceu, no entanto, a corrigir, rapidamente, a impertinência.

E não tivesse seu antecessor ido tão longe na desgovernação dos seus últimos anos e a insensatez na permissividade de um culto à personalidade em que “religiosos” chegaram a apelidá-lo de “o Moisés” de um povo, já nessa altura a penar profundamente, por causa de seus ou de erros a que a loucura dos que o cercavam o levaram, para muitos de nós cairmos na teia de um discurso e actos iniciais que se constituíram numa enorme fábrica de ilusões.

Mas não tardou o advento da chuva de desilusões. Bastou afastar, no ano seguinte, JES, do cargo formal de líder do partido que a muitos não passa pela cabeça que como coisa de humanos, amanhã poderia ser, sem problemas de maior, um partido de oposição, como um MLSTP, uma UNIP ou um PAICV, ou até desaparecer, como um MPR. Afastamento de uma ou outra forma natural, depois 38 anos de boas e más experiências, justamente investido no título de “presidente emérito”, o que devia ser aproveitado para alguma coisa útil, para esta malfadada pátria de Holden, Neto e Savimbi (que mal a criaram).

Tudo a contar com um empurrão de muitos de nós, ainda embriagados pelo ilusionismo do novo chanceler dessa pátria, aparentemente amaldiçoada para sempre. Não julgo estar a exagerar. Muitos dos meus aparentes exageros, no tempo de JES, acabaram como acabaram.

Há uma diferença: com nossos medos ou aproveitamentos, a geração a que pertencemos, já não terá 15, muito menos 38 anos de represálias ou gozos de eternas glórias para usufruir. Vergonha se deixamos isso para nossos filhos, netos e bisnetos.

Na chuva de desilusões, já demos uma grande volta até regressarmos ao ponto de partida de há quatro anos, só com a diferença do descaramento ser algo sem qualquer travão. A volta que nos levou a proclamar-se um “combate sem tréguas à corrupção”, em que claramente se aproveita o exercício de vinganças pessoais e se protegem abertamente pessoas “amigas”.

Num jogo de impunidades passadas e actuais, em que não importa a desorganização de serviços, erguidos não importa com dinheiros de que origem, onde “marimbondos” e não estigmatizados com esse título, todos tomaram parte do pote; onde não importa que empregados desta ou daquela empresa “isabelista” ou welvicthiana”, vão para a casa, onde se prometeram mais 500 mil empregos dos poucos que havia.

A volta que passou pela perseguição, sem sentido, do comércio informal sem qualquer alternativa, na chamada “operação resgate”. A volta que nos levou a passar pelo adiamento de um aspecto fundamental do excessivamente centralizado e concentrado Estado que seria um elemento fundamental da sua reforma com a realização, em 2020, da autarquização do país (até poderia ser – discutindo-se – sem eleições, quanto à mim); ao invés, só para um exemplo, em 4 anos, para fazer a demonstração do poder do Palácio da Cidade Alta, nomeados e exonerados 4 governadores de Luanda, que foram desfazendo os programas uns dos outros, até às assassinas lixeiras finais.

A volta que passa por um convite para o repasto de paz, sem o líder da oposição e líder da parceria de tal paz. É muita viagem, para podermos reviver, hoje, todos os momentos de tanta chuva de desilusões, por vezes com muita trovoada e saraiva. Até hoje, quando as mesmas pastoras divinas, passam o título de “Moisés” a JLO, com um povo a morrer de fome farta e de tanta desesperança.

A um homem que jurou combater a bajulação, até às últimas consequências. Mas para a elite angolana com dignidade, tem que haver sempre uma esperança. JLO tem que parar e ouvir-nos nestes apelos, que ainda vai a tempo de laborar numa verdadeira conciliação nacional.

Em vez de persistir em prosseguir no caminhão que tudo indica, traçado pela mesma máquina que governou JES. JES que regressou e devia colaborar. Não é só para salvar o MPLA. Salvar o país, com todos os principais actores políticos, económicos e sociais. E de uma forma que convença e sossegue, definitivamente, os angolanos e o mundo que nos cerca.

Marcolino Moco

Foto: Observador

Fonte: FB

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