A AGONIA DO POVO CABINDENSE

Após de “Onde estavam os angolanos quando Portugal e os Cabindas assinaram os tratados?”, no artigo de opinião, CABINDA – A TRAGÉDIA DE UM EQUÍVOCO, KUMA GOMES, volta a brindar-nos com mais uma análise em prol da autodeterminação do povo de Cabinda, onde evidência a imposição da injustiça e a agonia  do povo de Cabinda.

CABINDA

 por @mbembubuala

Fevereiro 26, 2019  

Há paradoxos que em momentos decisivos podem fazer coincidir a tragédia com a feliz convergência de momentos que estão intrinsecamente ligados, pelo destino relevante de povos irmãos.

No momento em que se assinala os 17 anos do assassinato de Jonas Savimbi, 44 anos decorridos desde a Independência, o povo de Cabinda faz uma vigília em Luanda, pacífica, pela libertação dos seus detidos por lutarem pela sua autodeterminação.

O carrasco é o mesmo, um MPLA que se apossou do Poder, captou-o como instrumento da sua insaciabilidade, e atraiu traidores a troco de benesses, que se juntaram ao covil, onde se perpetua o saque em que assenta a estratificação das elites empanturradas de corrupção e clientelismo.

A certidão de nascimento de Angola, foi redigida a 15 de Janeiro de 1975, com ignorância total dos subscritores, tacticismo conspirativo e traição predisposta da parte portuguesa, onde pontificaram exímios traidores como, Marechal Costa Gomes, Mário Soares, Almeida Santos, Melo Antunes e Rosa Coutinho, que a história os julgará como criminosos contra povos indefesos perante quem assumiram protecção, enquanto o camarada Otelo Saraiva de Carvalho, o terrorista ladrão, estava em Cuba a tratar do envio de tropas cubanas para Angola.
Fiéis servidores do Imperialismo Soviético, parasitas do KGB, entregaram o destino dos povos à sua sorte, ignorando a responsabilidade colonizadora de 500 anos, traçando o destino a todos por igual, pintado de encarnado da bandeira do PCUS, e do sangue dos inocentes da sua postura cruel e assassina de tanta gente que ainda hoje tem um pouco de nós, e nós deles.

 Cabo Verde, chão deserto achado pelos portugueses, 1456, com uma ocupação “sui-generis”, teve pela sua importância estratégica, já para os navegadores que chegaram à Austrália e Nova Zelândia, 1522, o despertar do apetite voraz dos soviéticos, para controlo do Atlântico.
Macau ficou de fora, como devia ter ficado Cabinda, territórios sob administração portuguesa, consequente de Tratados com a China em 1887, “Tratado de Amizade e Comércio Sino-Português, com 54 Artigos, assinado por Sun Xuwen, e o representante de Portugal, Tomás de Sousa Rosa, confirmando a governação de Macau por Portugal”.

Portugal só viria a negociar a devolução do território à China, nas negociações entre o nosso embaixador em França, António Coimbra Martins, meu grande amigo pessoal, em 1978, com o embaixador Chinês, sempre com o acompanhamento do embaixador soviético na capital gaulesa.

O mesmo não aconteceu com Cabinda, que estava, também, sob administração portuguesa, assente no Tratado de Simulambuco, (01/02/1885), negociado pelo Rei e Príncipes de N’Goyo, e o Comandante da Corveta Rainha de Portugal, Brito Capelo.

Os Néscios e Nefelibatas revolucionários, por conveniência, fizeram tábua rasa, ignorando a idiossincrasia de um povo, cuja similitude reside apenas na origem BANTU, e na Raça Negra, não partilhando cultura, não fazendo fronteira com o território angolano, partilhando a compreensão da língua portuguesa, religião, mas legítimos e únicos representantes do Reino, do Rei e Príncipes de N’Goyo, a quem Portugal deve por cumprimento do Tratado, a obrigação jurídica da devolução do território.

 
Mário Soares, em 1995, numa entrevista que me concedeu, no Hotel Bristol, em Paris, desconhecia que Cabinda não era contiguo ao território de Angola, que tinha apenas o Rio Zaire a separar. Vergonhoso!!!

Merece viva repulsa, a indiferença das Nações Unidas, que têm plasmado na sua Carta a Autodeterminação dos Povos, o laxismo da OUA, que mais não é do que um instrumento da herança colonial, e o oportunismo de do MPLA/estado Angola, que nega o Direito de um Povo que luta pela sua Independência, tal qual lutaram como os Povos de Angola, e que sofrem as horrorosas arbitrariedades do conluio oportunista que no geral, partilham o nepotismo e o saque das riquezas naturais de de cidadãos que sofrem, amordaçados na sua dignidade e cidadania.

Entre oportunismos ocultos e combinações obscuras, João Lourenço, no seu jogo do Poder, libertou os restos mortais de Jonas Savimbi, cala a família que se silencia pela falta de Honras de Estado a um Herói da Nação Angolana, com hipocrisia enraizada no ADN do MPLA, e que João Lourenço, “O Mimoso”, serve de bandeja ao seu amigo e colega de escola Isaías Samakuva, para a sua reeleição a Presidente da UNITA.

 
Seria oportuno, exigível, para repor a verdade histórica, que chegasse a vez de entregar Cabinda aos cabindenses, para que cumpram o seu destino, que será o destino de África, assim que se desenvolva, e que se perspective e concretizem as Revoluções da Negritude, e a Autodeterminação dos Povos, na busca das suas identidades, sem que o petróleo letal, alimento da mestiçagem que comanda a herança colonial, escureça a esperança da verdadeira raiz cultural identitária de cada Povo.

Sei que há o temor de Cabinda poder ser o começo de um processo imparável, mas inevitável, que podia ser atenuado pela constituição de uma República Federativa, com autonomias regionais com força legislativa respeitadora da diversidade, mas enquanto o negro veneno que jorra das jazidas imperar, o pensamento, a acção, o desenvolvimento assente nos recursos humanos, são uma miragem, que acredito, mesmo com base na força, atingirá a sua caducidade.

Quero aqui expressar a minha mais profunda solidariedade aos reclusos de Cabinda, que ousaram exprimir a sua vontade de ser livre, como um dia, Holden Roberto, Agostinho Neto, e Jonas Savimbi, o fizeram.

Opinião de Kuma Gomes


Lisboa, aos 23/02/2019

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