Autoridades policiais em Cabinda torturam e aprisionam ilegalmente activista independentista

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André Paca Panzo

O activista político João Mampuela foi detido e torturado, hoje, (27 de Abril 2019) pelos agentes dos Serviços Prisionais do Yabi. Ele foi à cadeia do Yabi para visitar a activista Maria Deca.

Na recepção, os agentes dos Serviços Penitenciário em serviço pediram-no que quebrasse os cocos que levava. Revoltado com a situação, procurou saber o porquê das tais medidas, ali surge o problema. Indignado, entendeu quebrar o coco num pavimento muito próximo do lugar onde decorria a discussão.

Não gostando a sua atitude, alegando falta de respeito, afirmando mesmo que a água do coco ao saltar borrou a farda de alguns elementos, os referidos agentes partiram para agressão. Isto acontecia poucos minutos antes da nossa chegada à cadeia do Yabi.

Mal chegámos ao Yabi em visita à Maria Deca, encontramos um ambiente muito agitado. A maioria das pessoas que encontramos, entre visitantes, reclusos e agentes, só comentavam da tortura e era muito notório o sorriso, a alegria, a satisfação e o orgulho dos agentes dos Serviços Penitenciários.

O mesmo incidente só não aconteceu connosco porque tivemos que manter muita calma para responder as provocações. A primeira medida que nós encontramos e achei exagerada foi quando nos mandaram provar todas garrafas de água e sumo que levamos. O engraçado é que antes de lá chegarmos, nós (refiro-me do Bernardo Tina, do Sr. José, o cunhado do Maurício, e eu pessoalmente) já tínhamos passado na Cadeia Civil, e ninguém nos mandou provar as 9 sextas de água e as duas de sumo que levamos.

Ora, tão logo que acabamos de provar as garrafas de água que levamos para Maria Deca, não tardou ela chegou junto a nós, foi quando ela começou nos contar o que aconteceu com o João Mampuela. Mal ela começou explicar ao Bernardo Tina enquanto o Sr. José e Eu arrumávamos as coisas, lá surgiu um agente, armado em mau, que com um tom arrogante começou a questionar ao Bernardo, querendo saber se fazia parte do mesmo grupo, referindo-se ao MIC. O Bernardo entendeu responder-lhe com silêncio.

Todavia, o agente insistiu por mais de três vezes a mesma pergunta. Depois da insistência do mesmo agente, o Bernardo questionou ao senhor o porquê da tal pergunta, foi suficiente para o indivíduo assumir uma atitude de intimidação. Por conseguinte o Bernardo respondeu-lhe nos seguintes termos: “o senhor não está aqui para intimidar pessoas”.

Com essas palavras foi suficiente para interditar a visita do Bernardo e mandá-lo para fora. Foi assim que entrei na conversa para tentar calmar o senhor. Pedi-lhe que como servidor público tivesse calma e a boa maneira de falar com as pessoas. Não tendo argumentos para tal atitude, entendeu igualmente ameaçar-me mandar para fora caso continuasse a falar. Assim sendo Maria Deca reagiu “isto é opressão”, em resposta o senhor ordenou que voltassem a Maria Deca na cela. Tive que novamente intervir apelando calma e bom senso. Foi assim que o Sr. José e eu conseguimos falar por alguns minutos com a Maria Deca.

Depois da nossa conversa com a Maria Deca, procurei falar com os oficiais em serviço ver se pudessem gerir a situação de Mampuela de maneira diferente, conversando com a pessoa e se necessário for chamando-lhe a atenção. Por conseguinte, levaram-me até a sala onde se encontrava o Mampuela, depois de ser retirado do veículo onde se encontrava fechado inicialmente. O certo é que para nada serviu a minha iniciativa de dealogo e concertação. Voltamos para as casas com mais uma detenção consumada.

Mbembu Buala, A voz do povo de Cabinda.

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