Grupo de direitos humanos condena tortura e detenção ilegal de independentistas nos Camarões

A organização de direitos humanos Human Rights Watch (HRW) denunciou em um relatório publicado na segunda-feira “um uso regular de tortura e detenção ilegal” pelas autoridades camaronesas contra os separatistas de língua inglesa.

A HRW afirma ter “documentado 26 casos de detenção ilegal e desaparecimento forçado no centro de detenção da Secretaria de Estado da Defesa entre janeiro de 2018 e janeiro de 2019, incluindo 14 casos de tortura”.

Os 26 casos dizem respeito a separatistas de língua inglesa ou pessoas suspeitas, acrescentou HRW.
Gendarmes e outras forças de segurança da Secretaria de Estado da Defesa (SED) usaram surras e quase afogamentos para obter confissões.

Entre eles, “dez eram líderes do autoproclamado governo interino da Ambazônia”, detalhou a ONG.
Os separatistas anglófonos de Camarões, um país de maioria francófona, fazem campanha pela criação de um estado independente nas regiões Noroeste e Sudoeste em nome da Ambazonia.

No final de 2017, após um ano de protestos, os separatistas pegaram em armas contra Yaoundé. Desde então, essas regiões têm sido palco de um conflito armado que continua a crescer.

“Gendarmes e outras forças de segurança da Secretaria de Estado de Defesa (SED) usaram espancamentos e quase afogamentos para obter confissões”, disse a ONG em sua publicação.

Neste relatório, a HRW também cita casos de tortura infligida por separatistas a civis.

Na quarta-feira, o Ministério da Defesa denunciou no Facebook o “silêncio e cumplicidade da Human Rights Watch, da Anistia Internacional e da mídia internacional” em face de abusos cometidos por separatistas contra civis.

Em meados de abril, um pesquisador da HRW que trabalhava no conflito na área de língua inglesa foi impedido de entrar em Camarões no aeroporto de Douala.

Em vinte meses, o conflito na área de língua inglesa matou 1.850 pessoas, segundo o International Crisis Group, um centro de análise geopolítica. Já forçou mais de 530 mil pessoas a fugirem de suas casas, segundo a ONU.

Por iniciativa dos Estados Unidos, o Conselho de Segurança da ONU realizará sua primeira reunião sobre a crise nos Camarões de fala inglesa em 13 de maio, que se concentrará na situação humanitária.
“O Conselho de Segurança da ONU deve enviar uma mensagem clara de que acabar com a tortura na detenção é crucial para responder à crise nas regiões de língua inglesa”, comentou a HRW em seu relatório na segunda-feira.

Na quinta-feira, Michelle Bachelet, a Alta Comissária da ONU para os Direitos Humanos, chegou a Camarões para uma visita de quatro dias, onde se encontrou com o Presidente Paul Biya na sexta-feira.


Fonte: africanews

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