SERVIÇOS DE INTELIGÊNCIA DE ANGOLA ATENTAS A MANIFESTAÇÕES PREVISTAS PARA OS PRÓXIMOS DIAS

O porta-voz do ministério angolano do Interior, Valdemar José, afirmou que os serviços de inteligência angolanas estão atentos às manifestações previstas para os próximos dias e avisou para as consequências das mesmas, se a lei for violada.

O subcomissário da Polícia Nacional, que falava quinta-feira à noite no canal público TPA, denunciou interesses “inconfessos” de criar instabilidade ao país e sublinhou que os angolanos têm o direito de se manifestar, mas devem cumprir a lei, depois dos apelos veiculados nos últimos dias pelas redes sociais, mobilizando a população angolana para ficar em casa.

No entanto, os apelos ao protesto pacífico contra o governo de João Lourenço não tiveram efeitos visíveis em Luanda.

Esta manhã, na capital angolana, os serviços funcionaram normalmente, o trânsito circulou com a habitual lentidão e várias escolas contactadas pela Lusa confirmaram estar de portas abertas e sem alunos em falta.

Mas as preocupações do executivo fizeram-se sentir de véspera.

Primeiro, com um discurso duro do Presidente da República, na abertura do congresso da JMPLA (órgão juvenil do MPLA), com João Lourenço, a acusar supostos militantes do MPLA de usarem dinheiros públicos desviados para pagar uma campanha contra Angola.

Depois, num programa informativo especial na televisão estatal, a TPA, sobre o tema “Liberdade de manifestação vs. Estabilidade Social onde os quatro participantes (um representante do Ministério do Interior, um pastor, em empreendedor e um sociólogo) apresentaram as suas razões para que os angolanos não se juntassem ao movimento.

No programa, Valdemar José, avisou para as consequências das manifestações previstas para os próximos dias, algumas das quais pretendem chegar aos órgãos de soberania, o que é proibido pela lei angolana e considerou que alguns destes protestos são “para provocar”.

Os cidadãos podem manifestar-se “se respeitarem os pressupostos prévios”, incluindo comunicarem à autoridades, não se aproximarem a menos de 100 metros dos órgãos de soberania e cumprirem os dias e horas definidos, acrescentou, indicando que a policia “não pode permitir que os manifestantes destruam bens públicos ou ponham em causa a segurança dos cidadãos”

O responsável da Polícia disse que alguns instigadores do movimento “já estiveram no aparelho de Estado” e têm interesses “inconfessos” de criar “instabilidade ao país”

Sobre a manifestação silenciosa que estava prometida para hoje, Valdemar José afirmou que seria “um barómetro” para ver quem iria aderir às próximas manifestações.

No caso das que estão anunciadas para os dias 14 e 15 considerou que violam a legislação por se realizarem durante o dia e durante a semana, já que a lei angolana permite apenas manifestações em dias úteis, a partir das 19:00, e durante o dia, só ao sábado a partir das 13:00.

“Estas manifestações realizam-se numa segunda e numa terça-feira, querem fazer durante o dia, só para provocar”, insistiu.

Valdemar José apelou a população para não aderir a este protesto cujo propósito “não é só manifestarem-se, mas sim desestabilizar o país”, avisando ainda que “quase todas as manifestações acabam em violência”.

O porta-voz do ministério do Interior admitiu que “há problemas sociais, mas salientou que o executivo angolano “está a trabalhar para ultrapassá-los” e questionou “que benefícios” trazem movimentos como o apelo a ficar em casa para o país.

À Lusa, Valdemar José disse que a polícia está a acompanhar os protestos agendados para vários dias do mês de outubro:

No dia 14, uma concentração do cemitério da Santana ao Largo 1.º de maio que pretende chegar até ao ministério do Comércio, contestando a subida dos preços.

No dia 15, uma manifestação de “ativistas de um movimento revolucionário” que quer ir até à Assembleia Nacional e uma outra de antigos trabalhadores da República Democrática Alemã, que pretende chegar ao Palácio da Justiça.

No dia 19, um outro grupo promete protestar contra o aumento dos produtos da “cesta básica” frente à Assembleia Nacional.

No dia 26, um outro movimento, que reclama a libertação de José Julino Kalupeteca, líder da seita “A Luz do Mundo”, condenado a 28 anos de prisão pelo homicídio de nove agentes da Polícia Nacional, marcou um protesto em frente ao Palácio da Justiça.

Fonte: Angola24horas

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