Makuta Nkondo, Reconhece Que Cabinda Não é Angola

Makuta Nkondo, Reconhece Que Cabinda Não é Angola

Janeiro 28, 2019

São Paulo – O nacionalista angolano, num texto breve, sério e de suma responsabilidade, reconheceu recentemente que Cabinda não é parte integrante da República de Angola. Não só pelas questões profundas levantadas, mas principalmente pela veracidade dos factos apresentados num texto para os Cabindenses refletirem, “embora que as autoridades angolanas lideradas pelo MPLA”, continuam a escamotear a verdade sobre o Território de Cabinda.

Fonte: Makuta Nkondo/Facebook

Foto de Makuta Nkondo
Makuta Nkondo

Os Mbinda, “Angolanos” apesar deles.

Mais um caso para a REFLEXÃO!

Durante a guerra pela independência de Angola, a Província do Kongo Central jogou um papel importantíssimo ao acolher cerca de 70 000 (Setenta mil) refugiados angolanos.

Também, a fronteira desta província era a mais disputada para a luta em Angola.

No tempo do Presidente da República Democrática do Congo (RDC), Joseph Kasa-Vubu, a província chamava-se Kongo Central, com K, e era governada por Mwanda Vital.

Naquela época, os titulares de altos cargos públicos eram eleitos pelas populações locais.

Mwanda Vital foi eleito a este cargo e o Governo da Província do Kongo Central era autónoma  em relação a Leopoldville, hoje Kinshasa, capital da RDC.

A capital (Chef lieu) do Kongo Central, Matadi, era dirigida pelo Primeiro Burgomestre, André Mvita.

Foi ele quem acolheu a primeira delegação do MPLA em Matadi que acomodou nas instalações de Congomane, no Damar.

Na sequência  da rebelião de Pierre Mulele, o Coronel Joseph Desire’ Mobutu destituiu Kasa-Vubu no dia 24 de Novembro de 1965 como Presidente e mudou a designação do pais em Republica do Zaire.

Mobutu criou um Corpo de Voluntários da República (CVR) que, mais tarde, mudou para o Movimento Popular da Revolução (MPR).

No termo de uma reunião deste partido no instituto Makanda Kabobi em Nsele, o Director do Bureau Político do MPR, Prosper Madrandele, anunciou a adopção da política de recuo/corrigida mais tarde por recurso a Autenticidade.

“Doravante, tudo muda. Os nossos nomes mudam, o Presidente passa a chamar-se Mobutu Sese Seko Kuku Ngbendo wa za Banga, eu próprio Madrandele Tanzi, o nome do pais mudou para República do Zaire, as provincias mudam para Regiões; os fatos e as gravatas são proibidos, e mudam para Abas-cost, para os homens; para as mulheres, o vestido, as saias, as calcas, o batom, o cabelo postiço e a peruca, são proibidos, etc. A medida entra imediatamente em vigor”. – preveniu.

A medida anunciada a noite, no dia seguinte tudo mudou, tendo encontrado apenas a resistência do Cardial Joseph Malula que pediu aos católicos para não abandonarem os nomes cristãos.

A província do Kongo Central mudou para Região do Baixo- Zaire.

Na altura, o único Movimento de libertação de Angola presente no Kongo Central era a União das Populações de Angola (UPA) co-dirigido por Mendes Manguala, Luís Inglês e António Sebastião.

Paralelamente, a UPA tinha um Quartel militar na Aldeia Luangu, zonas anexas de Matadi, comandado sucessivamente por Mabuatu, Kindoki e João Ngingi “Ketuyoyiko”.

Em 1963, a UPA juntou-se ao Partido Democrático de Angola (PDA) de Emmanuel Kunzika, resultando na Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA).

Por seu lado, a FNLA criou um Governo Revolucionário de Angola no Exílio (GRAE), com a sede nacional em Kinshasa.

O primeiro Delegado do GRAE na região do Baixo-Zaire foi Francisco Xavier Lubota, um Mbinda (originário de Cabinda), antigo estudante bolseiro da FNLA nos Estados Unidos da América (EUA) donde veio acompanhado da sua esposa, uma negra-americana chamada MERLE PETERSON e do seu motorista Pascoal, também Mbinda (Pascoal não veio dos EUA).

O adjunto de Lubota a delegado era o Econista Antônio Vita “Libande”
(Careca), originário da Comuna de Kaluka, Província do Zaire, em Angola, formado pela Universidade de Alexandria, no Egipto.

Lubota tinha muito poder, carisma, audiência e era respeitado pelos refugiados angolanos.

Com o Delegado Lubota, o GRAE confundia-se com o Governo do Baixo-Zaire.

Um dia, de regresso a Matadi, proveniente da Base de Kinkuzu, onde assistiu ao lado de Holden Roberto ao assassinato colectivo da quase totalidade dos Comandantes operacionais do Exercito de Libertação Nacional de Angola (ELNA – Braço Armado do GRAE/FNLA) – cerca de uma centena de revoltosos – Lubota organizou uma reunião com os quadros estudantes angolanos na sede da Delegação.

Durante a reunião, um estudante perguntou a Lubota o seguinte:
“O irmão Delegado Lubota
és de Cabinda e há uma organização política que luta pela independência deste território, a Frente de Libertacão do Enclave de Cabinda (FLEC). Se Cabinda conseguir a sua Independência antes de Angola, o Sr. Delegado Lubota juntar-te-as ao novo Governo cabindês ou continuaras no GRAE a lutar pela independência de Angola?

A reunião terminou sem a resposta de Lubota a esta pergunta.

Na qualidade de estudante e de um dos quatro secretários da referida Delegação do GRAE, o autor deste texto (Makuta Nkondo) participou desta reunião.

Passado algumas semanas, Lubota e o seu motorista Pacoal desapareceram de Matadi, tendo sido vistos em Kinshasa onde abandonaram o VW que servia da viatura oficial do Delegado Regional do GRAE no Baixo-Zaire, na entrada da sede nacional da FNLA.

Mais tarde, circularam notícias segundo as quais Francisco Xavier Lubota abandonou o GRAE e juntou-se a FLEC.

Lubota foi substituído ao cargo de Delegado regional do GRAE no Baixo-Zaire por Arturo da Costa Nkosi, natural do município do Songo, Província do Uíge.

Anos depois, Nkosi cedeu o lugar a Pedro James Ngimbi, natural de Mbanz’a Mpangu, município de Mbanza Kongo, Província do Zaire, que foi o ultimo Delegado ate a Independência de Angola.

A questão agora é de saber se os Mbinda (Cabinda) que integram o Governo e os Partidos políticos de Angola, caso Cabinda ascender a sua Independência, continuarão a ocuparem os seus cargos em Angola?

E mesmo agora, será que estes abandonaram a luta pela independência de Cabinda, a sua identidade Mbinda e aceitaram a de angolana?

Se é assim, estes “Angolanos”são ou não são traidores da luta pela Auto-Determinação de Cabinda; ou teem compromissos secretos com os seus patrões angolanos actuais (Governo ou Executivo, o MPLA e os Partidos Políticos da Oposição) sobre o futuro da sua terra (Cabinda)?

Ou apenas são usados os seus irmãos independentistas de Cabinda?

A pergunta é extensiva à todos os pretensiosos independentistas, que exercem altas funções no Governo e nos Partidos políticos de Angola.

Pois, nada é impossível, tendo em conta que as fronteiras herdadas do colonialismo ou da Conferência de Berlim de 1885 são agora tangíveis.

Tais são os casos da Eritrea e do Sudão do Sul, antigas províncias da Ethiopia e do Sudão, respectivamente, que estão independentes e de Angola que reconheceu a República Árabe Saharaui Democrática (RASD) dando o estatuto de Embaixada a sua representação em Luanda.

Texto de Makuta Nkondo

Dados biográficos

Nome: Augusto Pedro Makuta Nkondo

Data de Nascimento: 5 de Abril 1948

Makuta Nkondo é jornalista, deputado independente pela bancada da CASA-CE e bastante conhecido pela sua forma aguerrida de enfrentar as situações.

A sua carreira como jornalista teve início na Angop. Foi representante da Agência France Press e também trabalhou para o Folha 8 e no Angolense, até a sua extinção.

Envolveu-se na política desde muito cedo, tendo sido pioneiro da UPA.
Defensor da verdade e dos direitos dos angolanos. Foi despedido da Angop e do Ministério das Pescas por defender os trabalhadores.

2 comentários sobre “Makuta Nkondo, Reconhece Que Cabinda Não é Angola

  1. Nos os cabindas agradecemos pela verdade que o Dr. Makuta Nkundo esta esclarecer perante ao mundo. ainda sofremos escravatura no regime angolano o MPLA , e mesmo envadir não tem as políticas boas administrativos pela povo Sam, numa teirra rico de vários recursos minerais… mas tarde ou sedo Cabinda será administrado pelos cabindas a nossa luta continua.!

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