SINSE, UM DOS “BRINQUEDOS” PREDILECTOS DO MPLA

Nas sessões de debates que tínhamos em 2015, no bairro Vila Alice, em Luanda, que resultou no mediático “Caso dos 15+2” e que mudou o status quo de Angola, discutíamos vários temas, baseando-se na obra de Gene Sharp sobre métodos não violentos para derrubar regimes ditatoriais e evitar uma nova ditadura, ou seja,“Da Ditadura à Democracia-uma estrutura conceitual para a liberdade”.

Naquela altura, havíamos identificado o Tribunal Constitucional, o SINSE, a CNE e os órgãos de Comunicação Social públicos, como sendo quatro instituições-pilares na manutenção do Poder Político do MPLA e o petróleo como o recurso estratégico que permite a manutenção deste Poder por intermédio de um sistema de implicação geral através do qual os “camaradas” enriquecem facilmente à custa da miséria de milhões de angolanos.

Com os lucros do petróleo, o MPLA compra silêncio de intelectuais, corrompe políticos, músicos, jornalistas, escritores e membros de organizações não governamentais (Sociedade Civil) dentro e fora de Angola. Com o Tribunal Constitucional, o MPLA consegue bloquear o Poder Legislativo de fiscalizar os actos do Poder Executivo, tal como sucedeu com o acórdão 319/13 ou então impedir surgimentos de forças políticas que podem fortalecer a oposição ao seu governo, tal como acontece com o PRAJA-Servir Angola. Outrossim, foi por intermédio do Tribunal Constitucional que o MPLA influenciou o afastamento de Abel Tchivucuvucu da liderança da CASA-CE, o mesmo que encabeçou a coligação nos dois últimos pleitos eleitorais.

O MPLA transformou o SINSE numa instituição omnipresente com propósito de identificar inimigos internos ou potenciais adversários políticos que poderão assombrar a sua longevidade. O SINSE foi criado depois da independência e era designado por DISA, tendo promovido uma perseguição que iniciou com uma chacina sem precedentes históricos em 1977, sofreu uma mutação para SINFO e desempenhou um papel crucial na perseguição de cidadãos que em 2011 deram inicio a uma contestação pública ao Poder Político. Nesta perseguição implacável, o SINSE assassinou sem dó nem piedade os activistas Kassule e Kamulingui que foram asfixiados e lançados a um rio para alimentar jacarés. Em 2015, o SINSE comandou a operação que resultou na detenção dos 15+2, acusando-os da tentativa de perpetrar um golpe de Estado. O SINSE, nos dias de hoje, dedica-se à produção fakes news, ou melhor calúnias e difamação contra Adalberto Costa Júnior, Presidente do partido UNITA, bem como propagar mentiras contra activistas e jornalistas como Ramiro Aleixo e Alexandre Solombé.

Já a CNE é a instituição que permite ao MPLA renovar o seu mandato em cada cinco anos com beneplácito do Tribunal Constitucional e do SINSE.

Assim sendo, para derrubar o MPLA do Poder Político e dar dignidade ao povo angolano é primeiramente necessário derrubar as instituições que sustentam a manutenção do Poder Político e que são inibidores da alternância política, bem como do desenvolvimento social de Angola. Essas instituições não são nem de longe nem de perto instituições do Estado angolano, mas sim células do MPLA para garantir a longevidade, permitir o enriquecimento dos dirigentes políticos deste partido, silenciar e perseguir as vozes contestarias do sistema apodrecido da cidade Alta.

Entretanto, João Lourenço demonstra a cada novo dia incertezas na acção governativa, ausência de resultados das políticas públicas e déficit de soluções para resolver os problemas do povo angolano. Como qualquer ditador, o delírio do Poder leva-o a cometer atrocidades macabras com vista a gerar terror popular como as inúmeras mortes protagonizadas pelos agentes da Polícia Nacional, violando claramente a Constituição da República de Angola (CRA) que o mesmo jurou cumprir e fazer cumprir. E como a impunidade encoraja novos crimes, os agentes cumprem ordens superiores, ou seja, não estão na rua para distribuir rebuçados nem chocolates.

Contudo, em 2015 fomos motivados pelo contexto sociopolítico estudar formas de luta não violenta para derrubar a ditadura do José Eduardo dos Santos e evitar o surgimento de uma outra ditadura, mas infelizmente e em poucos anos de governação João Lourenço tornou-se ditador sob um olhar silencioso de muita gente que no passado lutou em nome dos Direitos Humanos contra José Eduardo dos Santos e a questão que se impõe é: Como aproveitar a queda do preço o barril de Petróleo para acelerar o derrube do MPLA?

Precisamos reunir o grupo 15+2 para dar continuidade aos debates e salvar o povo angolano dos opressores da Cidade Alta que usam os lucros do petróleo para viverem como xeques árabes à custa da miséria de milhões de angolanos que nem tem o que comer ou onde pousar a cabeça.

Texto de Hitler Samussuku

24-07-2020

Jornal o Kwanza

Foto: créditos Facebook

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