AS VERDADES DE MOCO SOBRE A EXONERAÇÃO NA SONANGOL

MARCOLINO MOCO ESCLARECE OS MOTIVOS DA SUA EXONERAÇÃO E DIZ QUE NUNCA MAIS ACEITARÁ EXERCER UM CARGO PÚBICO ENQUANTO JOÃO LOURENÇO FOR PRESIDENTE DE ANGOLA

Pousada alguma poeira, mesmo que 1001 castigos celestes imprevistos ainda se venham abater sobre a cidade, e antes que outras mil e tantas conjecturas sejam alvitradas, vou explicar, para quem ainda não o apreendeu ou mal o apreendeu, o significado da minha exoneração – com algumas encenações laterais forjadas – de um cargo que me foi pedido para aceitar, com alguma insistência. Sobretudo a forma como foi feita (a exoneração), para que ninguém fique com dúvidas, pelo menos sobre o meu entendimento sobre o assunto.

Justo há uma semana, estava eu a sentar-me para tomar a primeira colherada de sopa que Dona Julieta tão saborosamente me preparou (eu só sou “feminista” mas, desgraçadamente, não sei cozinhar, meia culpa kkkkk…), quando vejo o inacreditável no telejornal da TPA; mais ou menos assim: Presidente da República remodela CA da Sonangol; decretos: exonera tal….tal … e tal executivos e Marcolino José Carlos Moco, não executivo; e nomeia tal….. tal ….tal, executivos e Bernarda Gonçalves Martins, não executiva. Bom, para desanuviar um pouco o ambiente, pedi à mesa para me levantar um pouco e ir avisar os gatinhos que costumam passar pelo nosso quintal, dizendo-lhes que a partir daquele momento já não iriam encontrar o comedouro tão apetrechado, por causa da nova situação que nos tinha acontecido kkkkkk……Não se zanguem com a piada …… é da idade!

Se fui avisado? Sim fui, em certa medida. A primeira vez, aí por volta de fins do primeiro semestre do ano passado, por um alto funcionário da Sonangol – aqui importantíssimo esclarecer que não se tratou de nenhum membro do CA, dos quais guardo a lembrança de tão belas jornadas, em franca camaradagem e respeito mutuo – mas de quem não esperaria tal intermediação, para me admoestar, com todo aquele pequeno respeito, que eu deixasse de referir que estava desiludido com a governação do Presidente João Lourenço. Isso fora depois de uma entrevista dada ao “Novo Jornal”, em que o jornalista tinha “ajindungado” um pouco o título. E eu respondi, também muito delicadamente, que a crítica não era dirigida contra a governação, no sentido tão estrito, mas sim ao sistema geral de condução política que afinal o novo Presidente parecia não querer alterar. E dei exemplos com os quais o intempestivo fulano pareceu concordar. O segundo aviso saiu aquando daquele post em que falei do “regresso aos métodos autoritários”.

Aqui a coisa foi já um pouco mais sinistra, porque veio de uma mensagem privada em FB, “assinada” por um, certamente heterónimo, que depois se retirou. Este que perguntava se apesar de toda a dinheirama e mordomias eu ainda não me sentia acomodado. Curioso recordar que uns dias antes tinham sido atribuídos, especificamente aos aos administradores não executivos da Sonangol, salários muito bem longe da realidade, por fofocas dentro e fora das “redes”. Tudo isso depois do kazumbi me lembrar que eu também já tinha sido “isso, isso e mais aquilo”, no tal passado tão longínquo em que, para mim, os problemas eram tão diferentes e já (bem ou mal) ultrapassados. Ainda tive tempo tempo de lhe explicar as minhas posições com uma delicadeza que ele agradeceu. Porém, apesar de eu lhe ter garantido que não aceitei o lugar por linkage à possível prisão de língua, insistiu a perguntar: mas o camarada Moco não acha que está tão bem acomodado? Já não lhe dei mais qualquer tipo de resposta.

Bom, aquilo de que estamos a falar agora, coincidência ou não, acontece depois dos meus últimos dois posts aqui, sobre posições supostamente do BP do CC do MPLA e orientação de certos programas da nossa TV pública, criticadas por vários outros camaradas da chamada “família MPLA”, que por certo não têm nem esperam por cargos tão suculentos, enquanto persiste este clima de intimidação cada vez (mais ou menos?) sofisticado. No que me diz respeito, aproveito para informar, solenemente, para a tristeza, por certo, de muitos próximos, que nunca mais aceitarei (como aliás o fiz durante os últimos muitos anos do presidente Dos Santos) cargos que afinal só servem para ficarmos calados, quando não para tecer loas “à chefia” (onde está o fim do bajulação?), mesmo perante irregularidades tão evidentes, que frenam a consolidação da pretendida estabilização política, económica, social e cultural do nosso país. Como referiu Jesus Cristo, “Nem só do pão viverá o homem”.

Males que vêm por bem, assim, só pessoas de má vontade poderão afirmar que não quis colaborar com o novo Presidente, quando as minhas ideias eram bem conhecidas. E só gente maldosa continuará a conclamar que me vendi por uma tigela “de lentilhas”.

Mas o meu coração continua aberto, sem qualquer tipo de mágoa, para com o camarada João Lourenço que conheço (não tão parecido com o actual Presidente da República) e para todos os outros actores políticos e sociais, dentro de uma verdadeira agenda de aprofundamento da nossa reconciliação nacional, a todos os níveis.”

Por Marcolino Moco

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