JOSÉ ANTÓNIO CARVALHO DENUNCIA MANOBRAS ELEITORALISTAS DOS ANGOLANOS EM CABINDA

Aproximando-se as eleições na República de Angola, assiste-se, por ora, um fogo cruzado dos principais protagonistas ao evento sobre o badalado Problema de Cabinda. Como se sabe Cabinda é uma praça eleitoral que nenhum concorrente quer abdicar-se e tudo está sendo feito para, mais uma vez, beneficiarem-se do voto dos Cabindas, para, depois da assunção ao poder, voltar a depositá-los (os Cabindas) no ‘contentor de lixo’.

Há muitos pronunciamentos sobre Cabinda, mas nenhum, de todos até aqui registados, favorece os legítimos interesses do seu Povo. Nenhum angolano, de gema, quando estiver no poder, está disposto devolver o território de Cabinda aos seus dignos filhos. A tónica é sempre a manutenção da unicidade e indivisibilidade do território de Angola e os Cabindas condenados a ostentarem, mesmo contra a sua vontade, a nacionalidade angolana.

É bem verdade que, aqui entre nós Cabindas, muitos estão empolgados na mobilização do povo sofredor para acolher a proposta que nos for brindada, esquecendo-se que, mesmo que a gente a aceite e sermos angolanos para toda vida, nunca receberemos, quer da parte dos governantes, quer de toda sociedade angolana, um tratamento igual aos nativos de Zaire ao Cunene. Todos sabemos o quanto passamos, pelo facto de nascermos em Cabinda. Inclusive, em certas reuniões nas instituições do regime angolano, sobretudo das de defesa e segurança, os Cabindas não podem fazer parte. Na própria UNITA, os Cabindas eram e são tratados de forma diferente com os restantes angolanos, que o digam Nzau Puna, Tony da Costa Fernandes e outros. Como acontece na série infantil ‘Tom e Jerry’, por mais que o gato pretenda ser amigo do rato e vice-versa, a desconfiança de este quer me comer vem à tona e estraga-se todo aquela ‘boa’ intenção de se fazer amizade. Assim será sempre entre cabindeses e angolanos.

Então, caros políticos angolanos! O que vos custa entregar o controlo e a governação de Cabinda aos seus filhos? Está provado que Cabinda não faz parte de Angola, se hoje faz, é por força das circunstâncias. À exemplo de Portugal que defendia que o seu território era do Minho ao Timor e hoje já não é, Angola também pode deixar de ser de Cabinda ao Cunene, mas sim de Zaire ao Cunene, não vai perder nada, pelo contrário, ganhará fazendo um povo irmão ser dono do seu próprio destino. Tenham coragem e admitam, uma vez por todas, que Cabinda pertencem aos Cabindas e Angola aos angolanos, pois que, se nos derem a dita autonomia, isto nunca erradicará o sentimento de liberdade e de independência e, quem sabe, no futuro a luta entre angolanos e cabindeses ser mais violenta e causar prejuízos que se podia evitar.

Convém concertarem-se as coisas agora, enquanto se as pode concertar. Se é pelo petróleo, Angola tem muita riqueza que, gerida de forma racional, pode servir para o seu desenvolvimento. Como Portugal ficou sem o café, sem a madeira, sem o sisal, sem o algodão, sem o petróleo de Angola e hoje continua ser Portugal, Angola também sem o petróleo de Cabinda pode sim existir sem grandes sobressaltos.

Aos meus irmãos que comigo sofrem as agruras da colonização, peço prudência e firmeza. Queremos sim viver bem, mas não vendendo os outros ou sacrificando a maioria. Temos que procurar o bem-estar de todo povo. Não se emocionem com as propostas falaciosas, quer do regime no poder, quer dos que lutam para o poder em Angola. Continuemos firmes nos ideais da nossa luta, porque nossa vitória é CERTA.

Texto de José António Carvalho, Patriota Cabindense.

07-04-21


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