Jean Claude Nzita, denuncia Portugal “traiu duas vezes” o povo de Cabinda

CABINDA

Por @jmk1886ibinda

Fevereiro 01, 2019 – 12h

O secretário para a Informação e Comunicação e porta voz da “Frente para a Libertação do Estado de Cabinda – Forças Armadas de Cabinda” FLEC – FAC, acusou hoje Portugal de ter “traído” por duas vezes o povo cabindês, ao “oferecer” o território a Angola em 1975 e “persistir no silêncio”, ignorando o definido no Tratado de Simulambuco.

As acusações constam num comunicado, enviado a nossa redacção hoje pelo “Governo Provisório” da FLEC – FAC, no qual se assinalam os 134 anos da assinatura do Tratado de Simulambuco (1 de fevereiro de 1885), documento que “é e será o manifesto secular da identidade do povo de Cabinda e a afirmação da sua soberania como Nação”.

“A 1 de fevereiro, o povo de Cabinda comemora duas traições. A primeira traição foi quando os portugueses decidiram ignorar as aspirações do nosso povo oferecendo Cabinda a Angola em 1975. A segunda traição é de os portugueses persistirem ainda hoje no silêncio ignorando os compromissos que assumiram com o povo de Cabinda quando assinaram o Tratado de Simulambuco”, refere-se na nota, assinada por Jean Claude Nzita.

A FLEC/FAC sublinhou que “134 anos depois, Cabinda continua algemada ao colonialismo, não dos portugueses, mas dos angolanos” e que, “134 anos depois, Cabinda, continua a ser humilhada e o seu povo reprimido, privado de liberdade e de palavra. Mas, 134 anos depois, Cabinda mantém-se erguida contra a tirania, a opressão e a ocupação”.

“Somos um povo nobre que assinou um nobre Tratado. Somos um povo que permanece erguido e firme na resistência contra todos os opressores”, pode ler-se ainda na nota.

Segundo o comunicado, a FLEC/FAC exorta o povo cabindês a “manifestar orgulho nas suas origens, identidade, história, dignidade e acreditar que “a maior força está na unidade e no combate armado ou pacífico para que sejam cumpridas as”…”aspirações e honrados os antepassados”

O Tratado de Simulambuco foi assinado a 01 de fevereiro de 1885 pelo representante do Governo português Guilherme Augusto de Brito Capello, então capitão tenente da Armada e comandante da corveta Rainha de Portugal, e pelos príncipes, chefes e oficiais do reino de N`Goyo.

O tratado colocou Cabinda sob protetorado português e foi elaborado antes da Conferência de Berlim, que dividiu África pelas potências europeias.

A procura da independência data, no entanto, de 1956, quatro anos depois da união administrativa com Angola, com a formação do Movimento de Libertação do Enclave de Cabinda (MLEC) e, em 1963, dois anos depois do início da guerra em Angola, são criados o Comité de Ação da União Nacional dos Cabindas (CAUNC) e a Aliança Maiombe (ALLIAMA).

A Frente de Libertação do Enclave de Cabinda (FLEC) é fundada nesse mesmo ano, como resultado da fusão dos movimentos existentes e de forma a unir esforços que sensibilizassem Portugal para o desejo de independência. Mais recentemente, a FLEC passou a designar-se Frente de Libertação do Estado de Cabinda.

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