Grupo de Reflexão-Cabinda Unida condena detenção de manifestantes em Cabinda

CABINDA

Por @mbembubuala

Fevereiro 03, 2019

Sobre o 1 de Fevereiro de 2019

É com particular atenção que ao longo desta semana viemos acompanhando as detenções de jovens manifestantes em Cabinda, maioritariamente pertencentes a organização política MIC, que mais uma vez o foram por quererem exercer um direito de reunião e de manifestação consagrado na própria constituição angolana.

Para os governantes, o recurso à força é uma prática normal para mostrar quem manda e quem deve cumprir, e tudo isso em nome de uma suposta manutenção de ordem pública. Mas se manifestar pacificamente é perturbar a ordem pública, neste caso a constituição angolana não precisava contemplar tal disposição na sua lei.

Para nós, observadores atentos da situação, é uma violação autêntica dos direitos humanos, para além de ser uma situação ridicularizante da própria constituição angolana. Nada pode justificar o uso da força, a intimidação e opressão para privar o exercício de um cidadão dos seus direitos constitucionais e muito menos a sua liberdade de se expressar como pessoa humana.

Para os detidos, as detenções, intimidações, e a humilhação de que são constantemente vítimas só servem de gasolina que dá maior força e energia aos ideais nobres que defendem. Para esses jovens, não há outro caminho a seguir senão o de martírio em nome dum ideal mais alto, o de encontrar uma solução ao problema de Cabinda.

Como se pode ver, estamos a girar num círculo, onde acções-repressão-condenação formam a placa giratória. E, no nosso entender, é preciso ser estúpido demais para aceitar voluntariamente saltar e girar num ciclo tão viciado durante 43 anos, sobretudo quando se sabe que um dos voluntários e entusiastas participantes desse carrossel tem poder de mudar o rumo das coisas.

O Grupo de Reflexão-Cabinda Unida apela, por isso, as partes à sensatez:

1- Aos filhos de Cabinda de fazerem prova de perspicácia e idoneidade políticas para descobrir as linhas de passe mais certas, para fazer sair Cabinda e seu povo nesse marasmo circular em que se encontra há mais de meio século.

2- Ao governo angolano de assumir as suas responsabilidades; aos dirigentes de Luanda de se assumirem como governantes e irem ao encontro do desejo do diálogo franco, inclusivo e conclusivo, que os representantes do povo de Cabinda há muito vieram solicitando.

Isto poderá vir valer justiça social e paz para Cabinda, paz e tranquilidade duradouras para Angola, aceitação mútua e convivência mais harmoniosa entre os povos de Cabinda e de Angola.

Pastor Afonso Justino Waco

2015@mbembubuala – Todos direitos reservados (Copyright)

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