SOLICITADO APOIO ÀS NAÇÕES UNIDAS PARA A LIBERTAÇÃO DOS ACTIVISTAS CÍVICOS E POLÍTICOS DETIDOS ARBITRARIAMENTE, EM CABINDA

CABINDA

 por @mbembubuala

Fevereiro 05, 2019

Numa mensagem enviada ao Senhor António Guterres, Secretário geral da ONU e as instituições de defesa dos direitos humanos, apelamos as Nações Unidas e as sua parceiras, à pressionarem com urgência, o governo angolano para à libertação imediata e incondicional dos activistas cívicos e políticos detidos, recentemente em Cabinda de forma arbitrária.

À

SUA EXCELÊNCIA

O SENHOR ANTÓNIO GUTERRES

SECRETÁRIO GERAL DA ONU

C/C: S.E Sra. MICHELLE BACHELET, Alta Comissária para os Direitos Humanos da ONU

 ASSUNTO: DETENÇÕES E REPRESSÕES EM CABINDA                                      

Os nossos respeitosos cumprimentos.

Excelência,

Como estava programado, na sexta-feira, 1 de Fevereiro, 2019, os filhos de Makongo, Mangoyo e Maloango,  saíram à rua determinados pacificamente “sem qualquer violência” para repudiar a colonização angolana, e reforçar o apelo uma vez mais à Comunidade Internacional para à Autodeterminação e  Independência Total de Cabinda, tendo em conta os factos históricos e jurídicos que sustentam essa causa, a sensivelmente 134 anos.

Os organizadores cumpriram o seu dever de notificar as autoridades angolanas, incluindo o Presidente de Angola, João Manuel Gonçalves Lourenço.

Apesar dos pesares, as estratégias maquiavélicas do regime opressor de Angola, foram postas em acção para impedir a realização da Marcha que foi previamente e amplamente divulgada como sendo Pacífica, que decorreu em Portugal-Lisboa, em Nova Iorque – Estados Unidos da América, e sendo fortemente reprimida, como esperado em Cabinda “Tchiowa”, com a detenção de cerca de 70 Cabindenses, numa autentica operação de caça às bruxas, aos membros e a direcção do Movimento Independentista de Cabinda (MIC).

O governo angolano reprimiu a manifestação, no território de Cabinda,  com uma mega operação de segurança, e continua à apertar o cerco aos membros do MIC e aos activistas dos direitos humanos (com pendor, aos ligados a Associação para Desenvolvimento da Cultura dos Direitos Humanos “ADCDH”).

Por essa razão, o território de Cabinda continua mergulhado num clima de alta tensão, com intimidações, perseguições e detenções arbitrárias, a todos activistas políticos e dos direitos humanos que eventualmente participaram ou tentaram participar na Marcha  realizada no dia 01 de Fevereiro, o que contraria o direito de reunião e manifestação, previsto no artigo. 47.º da Constituição da República de Angola.

A forte tensão instalada em Cabinda, não emana somente pelo desejo independentista da Juventude Cabindense, mas principalmente também, devido aos sinais positivos de grande revitalização da Flec Fac, tendo em conta os últimos acontecimentos de Janeiro que num confronto directo entre as Forças Armadas de Cabinda “FAC” e as Forças Armadas de Angola “FAA” que ceifaram a vida a 12 pessoas, entre militares da resistência armada de Cabinda, civis e soldados angolanos.

Já não é uma falacia, mas sim uma realidade que, nos últimos 43 anos, Cabinda se transformou numa espécie de centro da fúria da ditadura reinante em Angola, que não permite aos Cabindas fazer qualquer reclamação ou organizar-se em associações de defesa dos direitos humanos, vigiados em todas as suas ações pelos agentes dos Serviços de Inteligência do Estado angolano e torturados frequentemente, com detenções arbitrárias dos oficiais dos Serviços de Investigação Criminal “SIC”. Em suma, sem direitos à justiça e obrigados a suportar, a repressão, as perseguições, os assassinatos, e sobretudo os julgamentos injustos do regime opressor angolano do “MPLA”.

Por todas essas razões, nós os filhos de Cabinda não nos vamos calar diante da tamanha injustiça e continuaremos a reclamar e clamar pela nossa independência total, um direito natural.

Excelência,

Aproveitamos à oportunidade para lançarmos um apelo à ONU e os seus parceiros, principalmente os órgãos internacionais de defesa dos direitos humanos, a pressionar com urgência, o governo angolano para a libertação imediata e incondicional de todos os activistas  cívicos e políticos, detidos arbitrariamente, em Cabinda. 

Contudo, estamos fartos de injustiças e pensamos que o diálogo franco, aberto e inclusivo, ser a melhor via para a resolução do Problema de Cabinda. E ao exemplo da Eritreia e do Sudão do Sul, apelamos ainda a organização de condições para a realização de um Referendo sobre a independência Total de Cabinda.

Excelência,

É importante realçar que o direito à Autodeterminação não prescreve, não se transmite nem perde a sua eficácia, pois é um direito inviolável, inalienável e incessível, mas também imprescritível.

Paz, Justiça e Liberdade para o povo sofredor e indefeso de Cabinda!

04 de Fevereiro de 2019

   José Manuel Kabangu

-Jornalista independente e Activista Político-

LISTA DOS INDEPENDENTISTAS CABINDESES DETIDOS PELO REGIME COLONIAL ANGOLANO

1-Maurício Bufita Baza Gimbi – Presidente do MIC
2- António Marcos Soqui – Vice Presidente do MIC
3- Alfredo Duda – Secretário para Assuntos Religiosos
4- Andre Bucoio Nsungo
5- António Manuel Puati
6- Afonso Kiama Kiango
7- António Victor Tuma – Secretário Adjunto para Infromação
8- André Matoco
9- Antonio Lourenço
10- Antonio Jose Kipade
11- Basilii Vrmba Gima
12- Bernardo Pedro Gimbi
13- Carlos Manuel Vemba – Secretário Geral do MIC
14- Celina Graça da Silva Daniel
15- Cristivão panzo
16- Celestino Gomes Mabiala Muendo
17- Daniel de Oliveira Buzi Bumba
18- David Kuembo
19- David kuembo Luemba
20- Eduardo Muindo Matumda – Secretário da Mobilização & Organização
21- Florindo de Jesus
22- Filomão Futi Bumba Chiambi
23- Filipe Macaia Luemba – Secretário da Formação Política do MIC
24- Francisco Casimiro Futi Tati
25- Geraldo Ngaca – Secretário Geral Adjunto
26- Felix Mavungo
27- Gorge Alfredo
28- Isidouro Ncole
29- João Conde Bodo
30- José Pedro Buanga Diogo – Secretário para Direitos Humanos
31- João Zau Mambimbi
32- João Ngoio Dibanda
33- João Barros
34- José Luis Nvumbo
35- José Manuel Kibinda
36- João da Graça Mampuela
37- Joaquim Júnior Bety
38- José Manuel Ndalyahwila
39- Júlio Pau
40- José Sita
41- José da Gruz M
42- João Teculo Mabiala
43- Jorge Lima
44- Kimena Futi
45- Maria Deca
46- Manuel Bras
47- Mateus Puati
48- Manuel Ntumba Costodio
49- Marcelino Chimpolo Goma
50- Maurício Pedro Chocolate Tati
51- Marcos Futi Buengo Jacob
52- Madalena Marta Zovo Gimbi
53- Miguel Cambuzina Sampaio
54- Pedro Massiala Conde
55- Raimundo Gomes
56- Rúben Mavungo Domingos
57- Rafael Malonda Bumba
58- Raúl Libuili Sungo Gomes
59- Rodrigués Mavungo Conde
60- Sebastião Quinga Barros
61- Sebastião Sungo Batala
62- Sebastião Buio
63- Samuel Emanuel Nhimi
64- Zacarias Pena Fuce
65- Zacarias Chicaia Nzau

66- Alberto Puna

OBS:  -Lista em actualização-

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