Lobo na pele de Cordeiro

Esse sujeito chama-se Giovanni Angelo Becciu, de 70 anos.

Conheci-o aquando da crise na Antiga Igreja Católica em Cabinda, devido a sucessão, por limite de idade, do chorado Bispo D. Paulino Fernandes Madeca, por um prelado angolano identificado ao regime que dirige e executa a colonização angolana em Cabinda desde 1975 aos nossos dias, Filomeno Vieira Dias.

Esse indivíduo desempenhava as funções de Núncio da Santa Sé, em Angola. Naltura nem tinha sido ainda elevado à dignidade de purpurado, consagração que aconteceu nos dois últimos Consistório do actual Pontífice, Papa Francisco. Entre as tantas vezes, que ele se deslocara a Cabinda para impor a recepção do bispo angolano rejeitado devido o diferendo que opõe Cabinda a Angola, nunca me esqueço, daquele fatídico dia, em que a minha promoção frequentava o curso de filosofia, no antigo Seminário Maior de Cabinda de Filosofia, e aquela reunião de tentativa de “conciliação” entre as partes desavindas: clero local e sua grey dum lado, CEAST e Vaticano doutro, onde por uma unha, passo a expressão, o representante do Vaticano não sofrera linchamento de crentes enfurecidos.

Para o tirar, são e salvo da Biblioteca D. Manuel Francklin onde ocorreu tal reunião, tivemos que distrair os crentes que circundavam o imóvel, tal era a preocupação e desespero, passo a expressão, do nosso antigo Reitor e Vigário Geral, Pe. Raul Tati para que nada de mal acontecesse ao Núncio.

Pelo que, a viatura protocolar da Diocese, um top de gama, que só era usado para o transporte de entidades distintas que se deslocavam ao Enclave foi levado, por orientação do Senhor Padre Taty, até porta de saída da Biblioteca, afim de “resgatar” o representante do Papa em Angola, são e salvo.

Quando os crentes/população aí presentes se deram conta dessa “manobra” da direcção do Seminário Maior, eles acorreram até ao portão do Seminário que dá para a rua do Mangui Seco, com pedras e bastões que pudessem atentar contra a integridade física de D. Ângelo Becciu, tido pelas populações locais como um dos principais responsáveis em conluio com a Conferência Episcopal de Angola e São Tomé para a “nomeação” do senhor Filomeno Vieira Dias.

Como nem a direcção do Seminário nem nós, enquanto Seminaristas poderiam assistir impávidos, o atentado contra o Núncio no nosso “lar”, acorremos junto das populações enfurecidas tentado explicá-los a gravidade que tal acto pretenso significava, foi daí que tanto a equipa formadora liderada pelo Reitor e nós, seminarista, começamos a sofrer ameaças e a chamarem-nos de nomes como “traidores”, “colaboracionistas” e outros tantos impropérios.

Da multidão enfurecida se ouvia, “esse padre Raul Tati e seus seminaristas precisam de uma boa pancadaria geral”. Mesmo com os nossos esforços de “bons ofícios” junto da população enfurecida para salvaguardar a integridade física do Núncio, o carro que transposta-o, acabou atacada mesmo no portão de saída do quintal do Seminário, com pedras e bastões, amolgando todo vidro de trás e as portas onde estava o prelado. Este cheio de medo, baixou a cabeça para que não fosse atingido pelos objectos que eram atirados no carro que o transportava.

Pelo desempenho, do motorista, o carro conseguiu furar a barreira. Em menos de 10 ou 15 minutos, apareceram a brigada especial da repressão do regime colonial angolano em Cabinda, conhecidos de “anti-motins”, lançando gás lacrimogéneo por todo quintalão do Seminário, os nossos olhos pareciam que fossem ser arrancados devidos os efeitos daqueles gazes e violência contra tudo e todos.

Nos dois dias seguintes, ouvimos um comunicado da Nunciatura e CEAST totalmente distorcido e falacioso sobre os eventos graves ocorridos nesse dia.

“Como é que homens de Deus podem ser mentirosos e diabólicos até esse ponto”, questionei-me naltura!? Penso que, a partir daquele comunicado, a minha fé na instituição católica que tanto venerava e vocação sacerdotal ficaram, definitivamente, mortos.

Conclui que esses gajos não prestam: são falsos, piores que fariseus e mais mundanos do que instrumentos divinos.

Texto Jose Da Costa

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