Análise de Manuela Serrano

Sobre a notícia que alude à morte do Comandante Maurício Lubota “SABATA” da FLEC FAC.

Já que estou a ler aqui postagens, sobre Cabinda e sobre traidores, vamos então falar, e homenagear, aqueles que mesmo sendo traídos, não traíram.

Segundo se ouviu na altura, os Generais da Flec-Fac, de Cabinda, Pirilampo e Sabata, foram atraídos, pelos Serviços Secretos Angolanos, a uma emboscada, e foram levados por eles, para parte incerta.

Contrariando a Convenção de Genebra, que proíbe a tortura de prisioneiros de guerra, ouvimos dizer, que foram torturados, das maneiras mais horrendas, aparecendo os seus corpos, mais tarde, abandonados, desfigurados, esfaqueados, baleados.

E mesmo assim, não abriram a boca, não entregaram ninguém, nenhum dos seus irmãos.

Isto trás-me lágrimas aos olhos, só de imaginar, tudo o que terão sofrido, à mão dos mesmos algozes, do 27 de Maio.

Vamos respeitar a sua Memória, pois Eles sim, podem e devem ser considerados, pelos Cabindas, como heróis.

Em muitos dos meus dias, rezo tristemente por eles. Eles entraram numa guerra, que nunca quiseram, porque o Povo de Cabinda, é e sempre foi, um Povo Pacífico.

E tudo porque Portugal, não entregou Cabinda, aos seus legítimos donos.

E tudo porque Angola, se nega a dar a Cabinda, o que Portugal lhes deu a eles: a Sua Liberdade. Ou seja, para mim eles foram, dois de muitas mais centenas, senão milhares, de vítimas, tanto militares, como civis, que o MPLA fez, assim que tomou conta de Cabinda.

Assassinando e torturando, violando, homens, mulheres, crianças, primeiro em Cabinda, e mais tarde nos campos de refugiados, nos dois Congos. A história de Cabinda, tem muitos dramas para contar.

Faça-se Silêncio!

Respeitemos as Vítimas! Se andamos à procura de Heróis, e não de Traidores, temos aqui dois, pois mesmo torturados, não denunciaram ninguém. Merecem-me o maior respeito.

É que eles não foram mortos, sequer, no campo de batalha. Foram atraídos a uma emboscada, e foram torturados e assassinados.

E sinto um profundo desprezo, um asco gigantesco, por quem foi tão baixo, que se acomodou e à família, no MPLA, e como moeda de troca, entregaram os seus irmãos, para serem torturados e assassinados.

Não sei como é que conseguem, sequer, dormir descansados. Não sou política, sou Activista de Direitos Humanos, e como tal me pronuncio, contra toda e qualquer tortura feita, a um ser humano.

Isto é o que eu, Manuela Serrano, penso e sinto, e Denuncio…

A seguir, passo, então, a citar a Notícia:

A morte do Comandante «Sabata»

Alguns anos, antes do falecimento de Nzita Tiago, a guerrilha da FLEC havia nos garantido segurança para que chegássemos as suas zonas de combate (matas do Mayombe), via Congos, de forma a confrontar “in loco” a sua realidade que era negada pelas autoridades angolanas. A viagem nunca aconteceu. O Rui Newman lá esteve. Conviveu com os guerrilheiros, alimentou-se de carne de caça, e outros alimentos que as matas oferecem para uma aventura do género.

A dada altura as autoridades angolanas haviam investido no seu programa de dar caça ao homem contra os principais comandantes da guerrilha. As previsões sobre a evolução do conflito já apontavam que Maurício Lubota «Sabata», teria um final trágico, à semelhança do seu então Chefe de Estado Maior Geral, Gabriel Luis Augusto Luemba «Pirilampo», que perdeu a vida, em circunstancias idênticas, no início do mês de Março de 2011. Já no dia 3 de Outubro de 2010, “Sabata” foi preso em Ponta Negra e solto dois dias depois pelas autoridades congolesas que lhe confiscaram a arma.

Maurício «Sabata» era o comandante operacional da zona de Miconji que estaria a provocar danos, as autoridades. Fazia parte da nova geração da resistência. Numa tarde do dia 19 de Março de 2011, foi emboscado por elementos não identificados quando se deslocava para casa de familiares, em Ponta Negra, para assistir ao óbito de um sobrinho. Foi raptado e no dia seguinte os populares encontraram o seu corpo baleado com sinais de esfaqueamento, no troço fronteiriço entre Nganda Mbinda e Mukonzi, a poucos kilomentros do distrito congolês de Kimongo.

«Sabata» tinha por habito andar escoltado com a sua unidade militar móvel de cerca de quarenta guerrilheiros, o que não aconteceu no dia em que foi emboscado. Antes de ir ver os familiares, esteve num campo de refugiados, em Ponta Negra, com dois elementos, Muana Popi e Tsondé, que se teriam tornado seus amigos, podendo ser considerados como «municiadores» de informações em relação ao seu paradeiro.

O comandante “Sabata” tinha a fama de ser um dos mais destemidos guerrilheiros da FLEC. Há quem também dizia que não tinha nada mais na cabeça, além do gosto de lutar pela sua causa. Era o comandante operacional na zona de Miconje. Porém, após as desavenças entre o líder histórico da FLEC, Nzita Tiago, e o seu então vice-presidente, Alexandre Tati, «Sabata» mostrou-se solidário com o «velho». Em consequência, o grupo de Tati afastou-lhe do comando em que estava, pondo no seu lugar Gabriel Mário Cócolo. Por sua vez, Nzita Tiago reestruturou a sua «ala», nomeando um novo Chefe de Estado Maior (CEM), Gabriel Nhemba «Pirilampo», em substituição do veterano Estanislau Boma, e fez de «Sabata» o seu comandante da zona-norte do enclave.

Na prática, «Sabata» continuava, no terreno, como chefe operacional de Miconje. Não tinha condições para exercer as novas funções atribuídas por Nzita, visto que os elementos que faziam parte da sua unidade militar estavam ligados a Estanislau Boma. Dos comandantes militares da FLEC, «Sabata» era o guerrilheiro que mais estragos fazia nos corredores do Buco Zau, em Cabinda. Numa demonstração de revitalização da facção de Nzita, «Sabata» emboscou, a 8 de Novembro de 2010, na estrada que liga Ihnhuca a Mboma Lubinda, na área de Komba-Nsseguele, uma caravana das FAA provocando a morte de 12 elementos. A caravana militar escoltava trabalhadores chineses ao serviço da petrolífera estatal, a Sonangol.

Também lhe era notada uma faceta imprecisa. No ano de 2010, mostrava-se simpático a Rodrigues Mingas, figura que o apoiava em algumas despesas familiares. Chegou haver rumores de estaria também em aproximação com as autoridades provinciais de Cabinda para uma agenda de rendição que partilhava com Muana Popi e Tsondé, que nos últimos tempos de sua vida se tornaram mais chegados. Já no passado o seu nome fora citado como parte de um plano de aproximação das autoridades angolanas, que seriam feitos por intermédio de um familiar seu, Zenga Mambo, muito chegado ao ex-Presidente do Fórum Cabindes para o Diálogo, Bento Bembe. Fazia parte do plano a proposta para a sua integração nas FAA com a patente de general. Diz-se mesmo que antes de morrer, preparava-se para largar Nzita Tiago e juntar-se à facção de Alexandre Taty e Estanislau Boma.

As mortes quase seguidas daquelas duas «altas patentes» da FLEC, naquele ano, aconteceram semanas depois de o governo angolano ter tornado publico um comunicado de guerra em que ressalvava ter orientado as forças armadas angolanas e a Polícia Nacional para, no quadro da sua missão constitucional, darem respostas operacionais adequadas às ameaças da FLEC-FAC na província de Cabinda.

No comunicado de guerra, as autoridades responsabilizaram a FLEC por ter abandonado das negociações que estavam em curso. Havia também informação aludindo que os seus guerrilheiros teriam afrouxado as suas acções por terem tido conhecimento de um suposto plano que se destinava à sua neutralização, ao invés de negociações. Daí que, logo após o endurecimento da posição do governo angolano, reagiram para esclarecer que pretendiam conversações com a presença da comunidade internacional, da comunicação social, libertação de prisioneiros e envolvimento de mais rostos da sociedade de Cabinda, entre outros, ao invés de «negociações secretas».

Passados 8 anos, a FLEC continua a apelar ao dialogo com as autoridades, e esta continua a nega-los ou ignorar a sua existência. As armas deveriam ser substituídas pelas palavras como pregava Lukamba Gato, da UNITA, em 2002.

Fonte: Post publicado por José Gama in FB.

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