INVASÃO POPULAR A ZONA DE EXPLORAÇÃO (OURO E DIAMANTE) NO BUCO ZAU

O incidente ocorreu por volta da meia noite do dia 26 de Julho do corrente ano, na localidade de Binga, na região do Buco-Zau, no território de Cabinda, um grupo de cerca de 50 cabindas, invadiram uma zona ocupada por empresas “chinesas, brasileiras e portuguesas” para a exploração de minerais (ouro e diamante), segundo se sabe muitos dos populares que invadiu a zona “praticam também na referida região, a exploração dos minerais já referenciados” para a sua sobrevivência.

Na invasão, os populares atacaram o pessoal das empresas que exercem o monopólio de exploração “ilegal” de diamante e ouro e os seus respectivos colaboradores. Há relatos de feridos e danos matérias avaliados em mais de um milhão de dólares norte americanos, tendo em conta que grande parte das máquinas foram incendiadas e destruídas na sua totalidade.

Segundo relatos da população de Binga, tratam-se de várias empresas, lideradas por cidadãos brasileiros, chineses e portugueses que exploram os recursos da região há mais de cinco anos, e presume-se ser de forma ilegal, por não ter havido uma comunicação oficial quer das autoridades locais e por parte do governo angolano, sobre conceições de exploração de minerais na região pelas respectivas empresas.

O principal motivo da invasão, segundo se sabe, os cidadãos da região de Cabinda, em questão há muito que andam agastados com a situação, uma vez que as referidas empresas, apoderam-se das suas áreas de exploração (vetando-os qualquer chance de praticar a exploração artesanal) e por não constatarem na prática, o impacto positivo na vida das populações da região de Buco Zau e da localidade de Binga em particular, da exploração desenvolvida pelas referidas empresas. Tendo em conta a quantidade de toneladas quer de ouro e diamantes, explorados diariamente no local.

Pois, na eventualidade das referidas empresas, terem sido autorizadas pelo governo angolano, a população local, tem toda legitimidade de manifestar o seu descontentamento, tendo em conta, os lucros que Angola arrecada na venda destes recursos, que não são revertidos para o bem estar do povo de Cabinda no geral. Se olharmos para o relatório de vendas no sector diamantífero, publicado recentemente, pela empresa nacional de comercialização de diamantes de Angola (SODIAM) que vendeu só no segundo trimestre do ano em curso, 1,5 milhões de quilates, arrecadando uma receita bruta de 232,8 milhões de dólares norte americanos, contra os 135,8 milhões de dólares do terceiro trimestre.  

Os populares que invadiram a referida área, muitos estão em locais insertos, mas na sua retirada, deixaram um forte aviso as referidas empresas que voltariam, dentro em breve, pois advogam serem os legítimos proprietários das referidas zonas de exploração de ouro e diamante, uma herança deixada pelos seus antepassados e sendo que são recursos do seu território que contínua sob ocupação ilegal e militar de Angola.  

Segundo ainda testemunhas oculares, no local, os órgãos de defesa e segurança de Angola, estacionadas no território de Cabinda, lançaram nas primeiras horas do dia em que se deu à invasão, uma mega operação de caça ao homem que culminou com a captura de mais de quinze jovens que exercem à actividade de exploração de ouro e diamante na aquela região do território de Cabinda, sendo uma grande injustiça, segundo a população local, uma vez que os mesmos nem se quer participaram da referida invasão, como forme garantiu um morador da localidade que adiantou ainda que a exploração destes minerais é a principal actividade da grande maioria dos habitantes da região, por ser o seu meio de subsistência, uma vez que não existem oportunidades de empregos.

Alguns foram postos em liberdade, dois dias depois, mas segundo se sabe, permanece detido na cadeia civil, o coordenador da Localidade do Binga e mais quatro (04),  senhoras não identificadas, tidas como instigadoras da invasão. E até agora não foi decretada qualquer medida de coação, aos detidos.

O mais preocupante e estupefacto, é que não houve até agora, nem por parte do governo local e nem sequer da imprensa local, um pronunciamento sobre o incidente, facto que levou muitos habitantes da região à questionarem à actividades das empresas brasileiras, chinesas e portuguesas que operam no Buco Zau e em algumas áreas do Belize.

Importa ainda referir, que à operação caça ao homem lançado pelas autoridades militares angolanas, na região do Buco-Zau (Madeira Dourada), à luz do incidente acima descrito, foi extensivo aos caçadores inocentes, onde muitos também foram detidos.

Contudo, o governo angolano (MPLA), deve esclarecer à situação, pois presumivelmente membros ligados ao seu governo e aos órgão de defesa e segurança angolano, estão envolvidos na exploração ilegal de ( ouro e diamantes) em Cabinda, sendo claramente, uma tamanha injustiça, contra o povo de Cabinda, povo este que não tem o direito de reivindicar pacificamente o seu descontentamento, pois, a prisão, a opressão e o silenciamento, são as únicas formas de diálogo por parte do governo angolano e das suas forças de defesa e segurança.

Facto que tem incentivado, a população a se revoltar violentamente, principalmente os jovens, contra actos e acções desta natureza. Por essa e outras razões, muitos desses jovens quer da cidade e principalmente do interior estão a cada dia que passa à juntar-se, em massa não só aos Movimentos Independentistas de Cabinda, mas também as fileiras das Forças Armadas Cabindesas – FAC (Braço da FLEC) para à libertação, o mais rápido possível do território de Cabinda da ocupação ilegal e militar que o MPLA, estabeleceu em Cabinda, desde de 1975.

Texto Magaliza Zola 

© 2019 A VOZ DE CABINDA – MBEMBU BUALA, PELA VERDADE E JUSTIÇA – CABINDA ACIMA DE TUDO E DE TODOS

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