RADIOGRAFIA DOS SECTORES SÓCIO POLÍTICO, ECONÓMICO E MILITAR DO MUNICÍPIO DO BUCO ZAU EM CABINDA

Buco-Zau é uma vila e município de Cabinda, tem 2 115 km² e cerca de 40 mil habitantes. É limitado a Norte pela República do Congo, a Este pelo município de Belize, a Sul pela República Democrática do Congo, e a Oeste pelo município do Cacongo. Em Ibinda, língua local, mbuku significa “centro”, “sítio” ou “local” e nzau significa “elefante”.

POR MBEMBU BUALA


O clima de Buco-Zau é bastante tropical e húmido, sendo que no passado dia 18 de Setembro, registou-se uma chuva intensa que abrangiu até o município de Belize. É neste município onde se produz a maior parte de Madeira de Cabinda. Além da madeira, este município é rica em outros minerais como Ouro, Diamante, Fosfato e etc.


É notório actualmente a avultada exploração artesanal de Ouro ao longo dos Rios, sendo este município banhado de grandes caudais como o Rio Luali, Luetche só para citar. Grande maioria da população do Buco-Zau tem como fonte de sobrevivência a pesca, a caça, a agricultura, notável na produção de Mandioca e Banana, o corte de tronco para o fabrico artesanal da madeira e barrotes, e recentemente a exploração artesanal de ouro. Está cercado de empresas portuguesas, brasileiras, e com mais presença de chineses, todos a buscas do valioso ouro.


Recentemente, as populações daquele município foram surpreendidas pela demarcação de terra por uma empresa Brasileira guarnecida pela Teleservice que tem vasta experiência em actuações nas zonas mineiras de Angola pelas suas formas e especialidade de operações.
Até então, a exploração ainda não se teve o início fruto de situações de protestos de famílias herdeiras daquela região que aguardam pela indemnização pelo direito das suas terras pelo que se constatou, esta exploração ocupará uma área superior a 9.000 Hectares ao longo da Floresta, atingindo até o município de Belize.


Enquanto se aguarda o arranque da exploração, os jovens não param no serviço de garimpo, tendo recentemente se registado a morte de um Jovem de aproximadamente 26 anos de idade, na localidade de Vódika, ao longo do rio Luali, vítima de desabamento de terra tendo ficado soterrado numa escavação de mais 5m de profundidade.
Contudo tem se envidado esforços conjuntos segundo as autoridades e alguns Membros da Empresa de Segurança Teleservice de que as Ordens de Captura de Garimpeiros ao longo das Zonas Demarcadas são Provenientes do Governo Central em Luanda.


Ouvido pela Mbembu-Buala, Samuel Télica, Jovem natural daquele Município alega que “Já não há nada a se fazer no Buco-Zau para o sustento da família, porque a própria caça e a exploração artesanal da madeira e derivados florestais está sendo proibida pelos Agentes de Protecção do Ambiente em Conjunto com IDF, a pesca nesta época não rende e apenas sobrevivem com o Garimpo. Com estas perseguições, a juventude ficará sem saber como sobreviver, e isto está a preocupar todos”.

Há presença massiva de estrangeiros a procura de Ouro no Buco-Zau com maior incidência para os chineses que maltratam a natureza, os munícipes e os trabalhadores sem qualquer atenção das autoridades locais sem se falar da pedofilia a que são submetidas às meninas chegando até de engravidarem jovens com idade inferior, instalações de Máquinas Hidráulicas ao longo do rio contaminando a água sendo a maior fonte do consumo local.” Frisou.


Buco-Zau regista uma invasão estrangeira neste momento vindo de todos os cantos com a maior influência dos cidadãos provenientes dos dois Congos. Pela parte de empresa asseguradora do perímetro de exploração mineira, espera-se contratar num total de 150 jovens para efeitos, naturais de Buco-Zau e Belize, e que já foram enquadrados 40 em fase de formação, sendo os 100 dentro em breve e que nos já inseridos, muitos eram jovens dependentes do serviço de garimpo.


Aquele município carece de muita atenção para o seu desenvolvimento sócio económico, as condições sociais são ainda péssimas, o fornecimento da luz é outro grave problema. O abandono institucional é visível ao longo do município com instituições fechadas sem alguma justificação. Situação político-Militar ainda nos deixa a desejar. Buco-Zau é detentor de grandes filhos quadros do Governo Local, com maior atenção, Marcos Nhunga, Vicente Télica, Humberto Roque, Alberto Paca, Marta Lelo, só para citar.

Foi com bastante agrado que aquela população celebrou a nomeação do actual Governador de Cabinda, Eng. Marcos Nhunga, sendo filho da Alzira da Fonseca, localidade mais célebre daquele município e localidade que alberga o maior hospital da Região Norte de Cabinda. Buco-Zau sempre teve uma circulação agradável fruto da via que Liga o Dinge, passando pela mesma até a Região mais ao norte de Cabinda.

Mas nos últimos dias, vive-se uma grande dificuldade pela degradação da mesma, principalmente no período da exploração de inertes para a construção do renomado fantasmagórico Porto de Caio.
A vida dos munícipes de Buco Zau sempre foi feita livre e abertamente. Num passado muito próximo, a presença massiva de Militares das Forças Armadas desde a sua implantação naquele município é também um motivo de preocupação dos jovens pelas suas acções agressivas e descriminatórias para com os natos de Cabinda acusando-os de Flec e outras práticas maliciosas.


Outra situação que preocupa os filhos de Cabinda, naquela região são as repentinas mortes de jovens membros das FAA. Recentemente foi encontrado na sua caserna o jovem de aproximadamente 37 anos de idade de nome Muadimba, caso que está levantar vários rumores pelo facto de o terem abandonado na morgue do Buco-Zau, o que é muito estranho, pois aquela morgue nunca foi usada para militares em caso algum, são transferidos directamente para o Hospital Militar de Cabinda.

https://avozdecabindambembubuala.com/2019/09/24/morte-misteriosa-de-soldado-das-faa-em-cabinda-continua-a-inquietar-os-seus-familiares/


Após a audição de vários populares de Buco-zau o apelo é sempre o olhar ao desemprego. A revolta poderá ser a única solução para com as injustiças. O hospital Regional da Alzira da Fonseca (Buco-Zau) atende aproximadamente 150 pacientes, e o atendimento é satisfatório e maior caso como obvio, a Malária, Febres Tifóide, diarréia, e entre outros.

Serviços básicos são ausentes no Buco-Zau, onde se faz uma cópia preto e branco no valor de 100kzs, Fotografia tipo passa no valor de 1.000kzs pela falta de agências de prestação destes serviços. Na Aldeia de Lufuinde, está localizada o Instituto Médio Conjunto (Industrial e IMNE). A Empresa mais notória na sede Municipal é a serração da Companhia Madeireira Abílio de Amorim.


De realçar que no pretérito dia 20.09.19, foram detidos 22 jovens que exerciam o serviço de garimpo nas zonas de Pene-Cácata e Binga, pelas forças de defesa e segurança angolanas. Mas que já forma postos em Liberdade.


Na época chuvosa, Buco-Zau regista mortes e inundações, devido a subida do caudal do rio Luali, afectando sobretudo com a maior incidência as populações que residem ao longo das margens do rio, sendo que as águas sobem até 10 metros de altura do nível normal.

Fotos VOC

Texto de Ruben Malonda

© 2019 THE VOICE OF CABINDA – MBEMBU BUALA, PELA VERDADE E JUSTIÇA – CABINDA ACIMA DE TUDO E DE TODOS

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