ATERRO SANITÁRIO DE CABINDA UM ATENTADO À SAÚDE PÚBLICA

Não faz muito tempo que o governo de Cabinda, através dos serviços comunitários junto da Administração Municipal de Cabinda, indicaram a planície do N´goyo a 1 km do posto fronteiriço do Yema como zona de Aterro Sanitário dos resíduos recolhidos no Município Sede e arredores.

O Aterro Sanitário do Município dista a 23 km da cidade de Cabinda, numa zona que a principio não havia sinais da existência de habitações nos arredores, o que é diferente nos dias de hoje, que regista a presença de cidadãos que se ocupam da recolha de artigos como cobre, garrafas, latas e etc.

Muitos jovens que vivem em vários pontos da cidade de Cabinda, têm como o seu ganha pão, a famosa lixeira do N´goyo, onde extraem artigos revirando montões de lixos que os ajuda a suster a vida.

Jorge Mamboma, cidadão de 38 anos de idade, residente no bairro São Pedro, tem sido um dos primeiros a chegar no Aterro, garantiu-nos o seguinte ”Tenho procurado de tudo um pouco, mas o meu maior objectivo é encontrar Cuivre (Cobre), vendo no São Pedro, um Kg chega a custar 1.500,00 Kzs e tem dia que Deus me abençoa mesmo, consigo até 5 a 6kilos.”

Questionado sobre os riscos de saúde, foi perentório em dizer: “Temos acompanhado colegas que ficam doentes, epah, não temos emprego, filhos para criar, a vida está difícil, há montão de lixo que foi depositado aqui a 2 ou 3 anos, temos que cavar com picaretas e enxadas, tudo tem o seu preço, desde a lata, garrafa, alumínio, ferro, mas a luta aqui é mesmo encontrar o Cuivre.” rematou.

Questionado ainda sobre a presença das Autoridades seja Policiais, Sanitárias ou mesmo Fiscais da Administração, informou-nos que: “Que a casota na entrada (Guarita), foi construída pela Administração Municipal, ficava aqui um Fiscal que controlava os Camiões, tendo em conta que muitos deles vinham e entornavam o lixo na rua, o maior trabalho era só para observar a entrada e saída de camiões visto que a nova lixeira dista mais de 1km da entrada principal do aterro. Os agentes da ordem veem aqui, mais para perseguir os estrangeiros porque este tem sido a rota de passagem dos imigrantes congoleses, por causa das pequenas ilhas que foram se criando com o amontoado de lixo, eles se infiltram ali, e no final do dia saem com os carros como se fossem biscateiros ou garimpeiros de Cuivre.”

De realçar que há maiores riscos pelo facto de serem lixos de várias secções, e os cidadãos vão revirando a procura de objectos que é um grande atentado à saúde pública.

De um tempo para cá, em Cabinda, surgiu uma prática de reciclagem de garrafas, latas, cobre, ferro e outros artigos que têm despertado a atenção de vários cidadãos fruto dos lucros que proporcionam.

Só para se ter em conta, em 2014, um container de 20P lotado de garrafas no Porto de Cabinda estava a ser comercializado até 10.000U$D, muitas vezes esses produtos tem como destino Luanda e Ponta-Negra.

Por outro lado, infelizmente à comercialização do cobre provocou o aumento da criminalidade em Cabinda visto que essa matéria é muito usada no ramo da eletricidade, em 2017 foi vandalizado um PT no bairro Mbaca para se extrair barras de cobre, facto que deixou aquela zona sem corrente elétrica, vários meses e ao longo da cidade, registaram-se vários assaltos dos cabos elétricos para extracção de Cobre.

Os camionistas queixam-se do mão estado da via que da acesso ao principal depósito sanitário do aterro e apelam as autoridades de direito que resolvam a situação o mais breve possível.

Tendo em conta que a preservação do meio ambiente é um dos grandes desafios da humanidade, nos nossos dias com as “alterações climáticas” a figurarem no topo das agendas dos estados. Somos à propor ao Eng. Marcos Alexandre Nhunga, governador de Cabinda à abertura de um concurso público para a concessão do “Aterro Sanitário do N´goyo” a privados para uma melhor gestão, exploração e valorização dos resíduos sólidos recolhidos na cidade de Cabinda e arredores, pois se não forem melhoradas as actuais condições do aterro sanitário de Cabinda que está relegado ao abandono, continuará a constituir um grande atentado à saúde pública dos munícipes da cidade de Tchiowa.

Texto de Ruben Malonda

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