POLÍCIA ANGOLANA (PNA) IMPEDIU A MANIFESTAÇÃO EM CABINDA E DETEVE MAIS DE 100 ATIVISTAS

Cabinda marcada por uma onda de detenções por ocasião dos 73 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos

A Polícia Nacional Angolana (PNA) impediu a manifestação programada para este sábado, 11 de dezembro de 2021, às 13 horas, em Cabinda; e deteve mais de 100 ativistas dos direitos humanos e outros membros da sociedade civil, segundo ativistas dos direitos humanos locais.

O objetivo da manifestação, segundo os organizadores, seria protestar contra o atual clima de detenções arbitrárias, de outras formas desgastantes de opressão e de más condições de vida das populações em Cabinda.

Mas, como de costume, a PNA pediu aos manifestantes para não sair à rua para lançar protestos contra o regime, alegando a existência de grupos munidos de catanas para criar uma situação alarmante. Porém, agastados com a situação, os ativistas decidiram manter o protesto; o que ocasionou o braço de ferro entre os organizadores da manifestação e o governo Provincial de Cabinda, como se, para o regime, o protesto fosse crime.

Assim, a cidade Cabinda acordou esta manhã com forte dispositivo policial espalhado em várias das suas artérias. Um forcing direcionado para todos os cidadãos que ousassem participar da manifestação. Muitos cidadãos foram detidos nos bairros, quando se dirigiam ao local de concentração; outros foram capturados nas áreas próximas da rota de manifestação.

Ativistas locais afirmam que mais de 100 pessoas foram presas após o forcing policial, e várias dezenas delas ainda estão detidas. Na listagem provisória que nos foi fornecida esta tarde constam 11 elementos detidos: Alexandre Kuanga Nsito (Coordenador da manifestação), André Puati, Clemente Cuilo, Hibrano Conde, Joaquim Missanda, Estêvão Poba, Marcos Lúbuca Mabiala, Celestino Joaquim, Luís Muanda, Maurício Tati e Wilfrido Gomes Tangui Milando.

Os cidadãos detidos eram levados para as esquadras policiais de Ngoma, Cabassango, Chibodo e Zenze do Lucula, ou simplesmente postos em liberdade depois de serem interrogados pela polícia durante várias horas. De entre os ativistas postos em liberdade, figuram Clemente Cuilo, Joaquim Missanda e Estêvão Poba. Destes, alguns foram conduzidos, em viaturas da polícia, fora da cidade de Cabinda, onde serão postos em liberdade.

Por exemplo, depois de agarrados pela PNA, Hibrano Conde será levado e abandonado nas matas de Subantando (10 Kms da Cidade de Cabinda); e Wilfrido Gomes Tangui Milando será deixado no posto fronteiriço do Yema, vizinha com a Vila Congolesa do Muanda, donde regressará por conta própria à cidade de Cabinda.

O coordenador da manifestação – Alexandre Kuanga Nsito – e outros ativistas continuam detidos em local incerto.

Assim, os 73 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos e 45 anos de admissão de Angola nas Nações Unidas, foram festejados em clima de interdições e detenções arbitrárias.

José Marcos Mavungo

Foto:FB

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