ENG. LEOTON MABIALA E A RAZÃO DA FORÇA DOS CABINDAS NA LUTA DA SUA AUTODETERMINAÇÃO

É FÁCIL ENTENDER A RAZÃO DA FORÇA DOS CABINDAS NA LUTA PELA SUA AUTODETERMINAÇÃO

LM, edição VOC

Há mais de 60 anos surgiram em Cabinda as primeiras tendências de reivindicações para o alcance da liberdade e conquista da identidade dos cabindeses como um povo, tal igual como aconteceu com outros povos do mundo.

Os cabindas tivera início com as suas lutas pela sua independência de forma separada das outras tendências de luta pela independência de Angola. Na altura, quase que ninguém dos cabindas tinha a noção da existência do petróleo em Cabinda como se tem a noção hoje. As pessoas lutavam com um único objectivo, a vontade ser livre do colono português.


Na década 60, três movimentos uniram-se dando assim o nascimento da mais emblemática e histórica força política e militar em Cabinda, a Frente de Libertação do Enclave de Cabinda (FLEC). Todos defendiam o mesmo ideal e convicção, a independência, fruto das bases históricas e jurídicas que o nosso povo viveu e conhece, só para mencionar algumas, o TRATADO DE SIMULABUCO e a CONSTITUIÇÃO PORTUGUESA DE 1933.


Com o passar do tempo, a luta dos cabindas viveu momentos altos e baixos e sobrevive as várias forças e interesses das grandes potências mundiais, duma forma geral e sobrevive as opressões, astúcias, corrupções e divisões provocadas pelo regime angolano, dirigido pelo MPLA.


É importante salientar que a luta pela independência de Cabinda não começou apenas depois da invasão e ocupação do território de Cabinda pelas forças angolanas com o apóio das forças cubanas, congolesas e soviéticas, nos dias 2 e 8 de Novembro de 1975, ou depois da anexação de Cabinda à Angola no artigo 3° dos ACORDOS DE ALVOR, mas sim, teve o início no período em que Portugal tinha Cabinda e Angola como suas colónia, para bem dizer, desde os tempos do colonialismo português. Embora muitos ainda defenderem que Cabinda não foi uma colónia de Portugal mas sim um protectorado português desde 1 de Fevereiro de 1885, no Simulanbuco, em Cabinda.

Na era colonial, Portugal defendia que de Minho ao Timor era uno e indivisível, hoje este slogan nem se ouve há mais de 40 anos. O mesmo que se ouve em Angola, de Cabinda ao Cunene, um só povo e uma só nação, e na sua constituição está estampado, Angola una e indivisível, até parece-se como na era colonial. Mas quem disse aos angolanos que a independência de Cabinda depende do bom senso deles?


Cabinda possui um povo com uma identidade cultural, ideológica, histórica, geográfica, antropológica e jurídica, diferente de Angola.

A independência de Cabinda é um sentimento da maioria do povo de Cabinda. Que a cada ano vai se aprofundando nos corações dos Cabinda, razão pela qual vai se surgindo vários movimentos independentistas dentro do território de Cabinda, logo, é inevitável o diálogo entre os cabindeses e o governo de Angola ao fim de se encontrar uma solução definitiva para se pôr o fim que opõe os dois povos irmãos e para se evitar que se continue derramamentos de sangue em Cabinda provocados por estes conflitos. A via armada e as prisões arbitrárias em Cabinda, não são medidas racionais para se pôr o fim destes movimentos independentistas que a cada ano vão surgindo em Cabinda.

O diálogo para paz em Cabinda não deve servir apenas para o inglês ver ou para enganar o mundo como se fez no Namibe com as assinaturas de acordos de paz entre o Bento Bembe, através do Fórum Cabindês para o Diálogo, e governo Angolano, deve servir como um mecanismo ou instrumento para se acabar com os conflitos armados e políticos que se vive em Cabinda, apesar dele não ser tão acentuado como os conflitos que já se viveu em Angola entre a UNITA e o governo Angolano, mas sim, vai servir, para se encontrar uma solução definitiva para o problema de Cabinda.


O diálogo para a paz em Cabinda necessita ser inclusivo, transparente, justo e com a observação da comunidade internacional. Todas forças vivas devem-se fazer parte deste diálogo.
Independentemente das diversas opiniões que vão surgindo em Cabinda sobre o seu destino, é importante que se respeite a verdade sobre Cabinda e o direto do povo de Cabinda em escolher qual deve ser o seu futuro e o seu destino como povo.


A questão do interlocutor válido, é um tema que não se pode condicionar aos cabindas para se dialogar. É necessário que em primeiro lugar exista a vontade de dialogar e ter uma agenda de negociações, e deixar que as forças vivas de Cabinda tenham voz neste encontro para diálogo, isto porque somos um povo democrático e isto leva o surgimento de várias tendências, independentemente dos objectivos e interesses de cada grupo em Cabinda, respeitando a vontade da maioria do povo de Cabinda de ser livre e independente.


Apelamos também ao povo angolano que evitassem de cultivar e incentivar nas mentes de muitos cabindeses o medo de que se os cabindas alcançarem a sua soberania, vão aparecer várias forças de vários países a quererem conquistar a terra de Cabinda. É salientar que os únicos povos que sempre nos quiseram mal e nos quiseram matar na nossa própria terra, é o povo angolano. Por isso, nos livrando de Angola é nos livrarmos das opressões, das prisões arbitrárias, dos assassinatos e da prisão dos nossos direitos fundamentais do povo de Cabinda.

Porque não existe nada que seja pior que Angola.
Para termina, a independência de Cabinda não depende da boa vontade e do bom senso dos angolanos, ela depende da determinação, da coragem, da persistência e da vontade dos cabindas em serem livres. Livres da má distribuição para o seu povo os recurso que Cabinda possue, livres das desigualdades de social, de falta de saúde e educação de qualidade, livres de políticas de má governação em Cabinda.


Teremos assim o direto de termos o nosso próprio sistema de saúde, de educação, de habitação, de segurança, de infraestruturas, etc, etc. Com a independência, os cabindas terão o direito de escolherem quê futuro darão para Cabinda.


QUE DEUS ABENÇOE CABINDA!
Viva a liberdade dos povos!Viva Cabinda!Cabinda, pátria imortal!


Por: LeoTon Mabiala


Conda, Cuanza Sul, 7 de Dezembro de 2019

VOC – MBEMBU BUALA

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