DIRECTOR DA TPA-CABINDA ACUSADO DE “GESTÃO DANOSA, NEPOTISMO E CORRUPÇÃO”

Tais acusações contam na carta em anexo endereçada ao Presidente do Conselho de Administração da Televisão Pública de Angola-TPA, Francisco Mendes, de autoria do colectivo de trabalhadores da TPA em Cabinda que a Mbembu Buala Press (A Voz de Cabinda) teve acesso e que passamos à difundir na íntegra.

AO

EXMO. SENHOR FRANCISCO MENDES, PRESIDENTE DO CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO DA TPA

L U A N D A

ASSUNTO: ACTOS DE GESTÃO DANOSA, NEPOTISMO E CORRUPÇÃO ENSOMBRAM O CENTRO DE PRODUÇÃO DA TPA-CABINDA

Os nossos respeitosos cumprimentos

Excelência, antes de mais receba os nossos cumprimentos de bom trabalho e Novo Ano Prospero e que haja saúde permitindo que continue a exercer as suas funções com zelo e dedicação.

Senhor Presidente do Conselho de Administração, é preciso visitar o Centro de Produção da TPA-Cabinda, para auscultar os funcionários um à um e em particular, sem que o Director Júnior, esteja presente.

Estamos a viver um clima menos digno desde que o Director Júnior, foi reconduzido ao cargo, mesmo depois de termos lido o despacho de exoneração e nomeação do Sub-director Ernesto, para substitui-lo no cargo. Temos conhecimento de que a sua recondução só foi possível porque ele o Director, Júnior, sabendo da sua exoneração, deslocou-se ao Palácio do governo de Cabinda, onde implorou ao então governador Eugénio Laborinho, para interceder junto do Exmo. PCA, para que a sua manutenção no cargo fosse possível.

A insatisfação do colectivo de trabalhadores, está nas constantes faltas de respeito do Director, aos subordinados. Como exemplo, foi as ofensas que dirigiu à colega Amélia Funzi, auxiliar de limpeza a quem destratou chamando-a de “Feia de Merda”. Os colegas jornalistas, vão a reportagem aos municípios do interior da província sem qualquer subsídio de alimentação nem uma garrafinha de água, quando sabemos que o Centro recebe mensalmente mais de um milhão de Kwanzas, do fundo de maneio disponibilizados pelo Conselho de Administração. Também é do nosso conhecimento que a UNITEL, paga 1.200.000,00 (Um Milhão e Duzentos Mil Kwanzas) pelo arrendamento do espaço no Centro Emissor de Malongo, onde a operadora nacional de telefonia móvel-celular, implantou uma das suas torres de retransmissão.

Em tempos, ficamos a saber da existência de um acordo cujo valor pago mensalmente desconhecemos, rubricado entre a direcção do Centro e o Decano da Faculdade de Direito, para privilegiar a instituição do ensino superior na cobertura, tratamento e emissão de matérias informativas e noticiosas das actividades promovidas pela referida faculdade. Este acordo, vigora até aos dias de hoje, mas as contrapartidas antes recaídas à TPA, foram congeladas porque a Faculdade, está com problemas de tesouraria. Mas enquanto houve liquidez da parte da Faculdade de Direito, os montantes estabelecidos entre as partes foram sempre cedidos ao Centro, pelo menos até o primeiro semestre de 2019. Sabemos que a gestão dos referidos dinheiros era da exclusiva responsabilidade do principal gestor do Centro de Produção. Foi-se apoderando dos mesmos e gastou-os indevidamente. A Sub-directora Dina, que não tem como lutar contra o mal, assiste impavidamente o saque do erário público, sem ter a capacidade nem forças suficientes para impedir o desvio de fundos que por vezes, também vão parar às contas de familiares e amigos do Director, a exemplo do que aconteceu no mês de Janeiro de 2020.

Mesmo estando em pleno gozo de licença disciplinar, o Director Júnior, orientou a Sub-directora Dina, para que transferisse vários montantes para as contas de irmãos, primos e outros parentes próximos do Chefe. Tudo isso, só tem sido possível chegar aos ouvidos dos trabalhadores, através das lamentações constantes da Sub-directora Dina, que por não encontrar espaço mais adequado para desabafar, fá-lo mesmo nos corredores do Centro e daí, atinge aos ouvidos dos funcionários.

O mais caricato no meio de tudo isso, está nas condições de trabalho porque estão sujeitos os profissionais desta casa. Reconhecemos tudo quanto fez o Director Júnior, quando chegou à Cabinda, para dirigir a estação. Mas pelo que vemos hoje, foi uma mera desilusão, pois, foi uma estratégia para nos colocar no seu bolso.

Excelência PCA, vejamos uma coisa. O dinheiro existe, mas nunca há para a manutenção dos ar-condicionados, obrigando os funcionários a exercerem a sua actividade em ambiente dominado por intenso calor, já que os equipamentos de frio clamam por manutenção há mais de um ano. Isto ocorre em todas as áreas do Centro, menos nos gabinetes dos responsáveis.

Na TPA-Cabinda, o papel usado para a impressão de textos é reciclado, facto que provoca a danificação das impressoras. Uma realidade que vivemos tão logo chegou à Cabinda, o Director Júnior. Também não temos sinal da Internet na Redacção, apesar das sucessivas reclamações feitas pelos colegas.

Um gestor que se prese deve respeitar os trabalhadores e colocar todos em pé de igualdade. Com o Director Júnior, tal não acontece. Ele manda a Sub-directora Dina, pagar um subsídio de 60.000,00 (Sessenta Mil Kwanzas), ao colega Adão Jorge, seu sobrinho, pela manutenção das viaturas da empresa, quando o mesmo Adão Jorge, foi enquadrado como mecânico e ganha por esta função.

A outra inquietação dos trabalhadores, está no facto de as viaturas da TPA, servirem para apoiar os seus familiares e amigos, que se deslocam à Cabinda, em missão particular e de passagem à vizinha cidade de Ponta Negra, para compras. Isto ocorre constantemente e sempre que acontece, os profissionais, sobretudo, os jornalistas, são obrigados a caminhar longas distâncias à pé ou andar de boleia para ir e regressar da reportagem. Vezes há que as reportagens agendadas caem por falta de transporte.

Ainda sobre as reportagens, são várias que cobrimos, cuja produção é feita pelo próprio Director. Mesmo sabendo que profissionalmente a matéria não tem enquadramento jornalístico, somos obrigados a encontrar um ângulo de abordagem que satisfaça os anseios do Chefe, já que grande parte destes trabalhos o Director Júnior, cobra dinheiro, longe do conhecimento da Sub-directora Dina. Quem paga diz-nos isso, é pura verdade.

Com o dinheiro, o Director Júnior, não dá o braço a torcer. Sempre que um colega, angaria uma publicidade, não admite que o angariador beneficie da percentagem a que tem direito. Em meandros do ano passado por exemplo, a operadora do ramo dos petróleos ALGOA, pagou 9.800.000,00 (Nove Milhões e Oitocentos Mil Kwanzas), pela emissão duma publi-reportagem. Na altura o Sud-director Lundi, era o Chefe do Departamento de Conteúdos e era o angariador da referida publicidade.

Só recebeu os valores que lhe cabiam, depois da intervenção dos agentes do SINSE e da Sub-directora Dina. Fora disso, o Director Júnior, como ambicioso que é pela negativa, teria ficado com tudo. Mesmo assim, o editor de imagens e o operador de câmara, ficaram sem receber qualquer tostão.

No entanto, a veia maliciosa do Director, é tão vasta e fez-se rogado ainda na gestão do ex-governador Laborinho, que disponibilizara três moradias para os funcionários do Centro, com problemas de habitação.

Consta-nos que, nenhum colega da TPA-Cabinda, teve direito de uma das moradias. Pelo menos é o que referem os registos da secretaria-geral do governo da província. Sabe-se apenas que foi o Director do Centro, quem recebeu as respectivas chaves, o que leva-nos a suspeitar de que as mesmas casas foram entregues a pessoas que não sejam da empresa ou foram negociadas. Muito recentemente, o actual governador da província, o Eng. Marcos Alexandre Nhunga, reuniu com os funcionários dos órgãos de comunicação social. Baixou ordens em como as direcções dos órgãos deveriam seleccionar os colegas com graves problemas de habitação. Ocorrem porém, que as listas contendo os nomes de colegas dos outros órgãos deu entrada na secretaria do governo, enquanto os nomes dos colegas da TPA, nunca foram seleccionados. Sempre que um colega lhe aborda sobre o caso, o Director, chateia-se e maltrata o funcionário. Pelo andar das coisas, estamos certos que mais uma vez, estas residências serão cedidas pelo governo, mas o director, dará um rumo incerto as mesmas. A ver vamos, triste de facto.

A outra preocupação do colectivo de trabalhadores, tem que ver com o parque automóvel da empresa. Várias viaturas estão fora de circulação há mais de dez (10) anos e não são abatidas a carga, ainda que para o efeito, colegas há que se candidataram a ficarem com os mesmos meios. A de marca Mitsubishi L-200por exemplo, é recente na empresa. O Director e o seu sobrinho, Adão Jorge, simularam uma avaria, tendo parqueado o mesmo no quintal do Chefe, na Aldeia Olímpica, no bairro Cabassango, condomínio onde o Director é residente. A referida viatura terá ido lá parar, alegadamente para ser reparado, mas que segundo se sabe, é para ser abatida a carga pelo próprio Director.

O outro episódio mais recente protagonizado pelo Director Júnior, tem que ver com a sua viatura. Ficou durante muito tempo a circular com a mesma sem que prestasse atenção no calendário das manutenções periódicas. Como resultado, o motor gripou e ficou horas e horas pendurado na Planície do Malembo, nas imediações do Centro Emissor da TPA em Cabinda, a implorar pela ajuda dos automobilistas que circulavam no referido troço. Não havendo solução para chegar à cidade abordo da referida viatura, ligou para o seu Sobrinho Adão Jorge, que lá se deslocou para prestar o devido socorro ao seu tio. Um responsável que se preze, não teria ficado com o único meio da empresa que ainda resta para a cobertura das reportagens. Aliás, é a viatura que atende o Governador da Província. Neste momento, caso haja uma solicitação de reportagem da parte do gabinete do Governador Provincial, a equipa da TPA, deve depender de boleia ou a reportagem cai. Ficou com o meio, fumou os vidros e passou a andar com a viatura, deixando a área “Core” sem soluções para colocar os repórteres no terreno.

Por esta razão Excelência, os Jornalistas da Casa, passaram a caminhar a pé ou depender de boleia para reportar os factos decorrentes da Pandemia da COVID-19 e de outros factos que fazem Cabinda, acontecer. A sociedade cabindesa, questiona como ser possível uma carrinha destinada a TPA, destinada para reportagens, anda com os vidros fumados. Isto é o que diz a população mais atenta, mas nós sabemos que os vidros foram fumados para permitir a ocultação de meninas (Catorzinhas) que sempre lotaram a viatura do Director.

Não se compreende que uma pessoa com a idade que tem, os anos de serviço vividos e com experiência de condução, deixar o óleo do motor chegar ao ponto de se transformar em lodo e consequentemente gripar o motor. A isso, chama-se irresponsabilidade, falta de maturidade e negligência.

Senhor Presidente do Conselho de Administração, o seu representante em Cabinda, é um individuo que nos parece não saber nada sobre jornalismo nem tão pouco de gestão. Obriga os profissionais a fazerem o que não é permitido no jornalismo e trata-nos como se de animais selvagens fossemos. Impõe-nos à um volume maior de trabalho e uma carga horária jamais vista. Tudo isso, ocorre durante os cerca de três anos desde que está a frente do Centro de Produção de Cabinda. Mas numa altura em que se vive a fase de confinamento social, o Executivo através do Decreto Presidencial, determinou a implementação do Estado de Emergência no País. Passando os funcionários de vários órgãos da administração do Estado, a obedecer regras especificamente estabelecidas no âmbito do Decreto Presidencial Provisório.

O mais insensato que parece, é que depois da divisão de turnos, tudo complicou-se para nós. Há mais trabalho e há mais tempo de permanência na empresa. Uma realidade que não atende a necessidade premente do ser humano que tem que ver com a alimentação. Referimo-nos do lanche ou senão mesmo almoços para as equipas em serviço.

Neste âmbito Senhor PCA, nada mas absolutamente nada temos beneficiado, numa altura em que sabemos que V.ª Ex.ª, distribuíra aos Centros de Produção, verbas para os Directores Provinciais, atenderem os funcionários durante a presente fase de confinamento social. Nós em Cabinda não temos nem beneficiamos de quaisquer condições para que possamos dar seguimento do nosso trabalho. Aliás, se trabalhamos durante estes anos todos, é por amor a camisola. Por isso, suplicamos ao digno PCA, que encontre solução administrativas para livrar-nos deste imbróglio que vivemos.

Também para a sua casa, foi levado sem apelo nem agravo, o televisor plasma de 400 polegadas, adquirido em 2016 pelo governo da província de Cabinda. Tinha sido colocado nos estúdios, onde servia de cenário para o Jornal Provincial e transmissões directas. Todos os ar-condicionados em segunda-mão, também foram desviados da empresa, sob pretexto de serem instalados na casa do Director. Mas o mais paradoxo, é quando nos últimos meses do ano 2019, simulou o roubo do plasma de 55 polegadas havido no seu gabinete. Quando se pensava que foi roubado, o mesmo plasma, foi encontrado no apartamento da sua namorada cita na Urbanização 4 de Abril, no Chibodo, aqui em Cabinda.

O colectivo de trabalhadores

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