RAÚL TATI CRITICA MARCOS NHUNGA POR QUERER AGRADAR JOÃO LOURENÇO E NÃO SERVIR O POVO DE CABINDA

A VISITA ABORTADA DO PR A CABINDA

Acabo de tomar conhecimento do adiamento sine die da visita do Senhor Presidente da República a Cabinda, agendada para o dia 13 de Agosto, sexta-feira e dia de azar. Se o PR esquivou do azar de pisar o solo de Cabinda nesta sexta-feira/13, o azar sobrou para alguém. Estou a pensar nas noites mal dormidas das autoridades governamentais em Cabinda para preparar tão especial visita. Estou a pensar em todos os “esforços” vertidos sem louros para agradar o Chefe vendendo uma imagem de uma cidade limpa até ao pormenor com jardins verdejantes, estradas impecáveis, iluminação pública em todos os cantos e recantos da urbe. Sim, estou a pensar em todo o cenário teatral que envolve as visitas de gênero onde nenhum pormenor escapa porque pode ser fatal. O cancelamento da viagem, cujos motivos não foram avançados oficialmente, abre as portas para a nossa imaginação escogitar sobre o assunto. O silêncio neste quesito pretende dizer o seguinte: a visita já não vai acontecer. Cada um tire suas ilações! E aqui vão as minhas:

1. O clima político e social em Cabinda é de contestação ao regime. Nunca se viu tamanha onda de rejeição contra o governo nestas paragens. Os cidadãos manifestam saturação e o síndroma do medo instalado para melhor controlar o povo vai desaparecendo. O MPLA não conseguiu, e não vai mesmo conseguir, recuperar o beneplácito do povo perdido nas urnas em 2017.

2. Nada do que o PR prometeu em Novembro de 2017 foi feito. Disse que Cabinda era um “caso particular” e que ele próprio iria acompanhar o desenvolvimento da Província. Fez exactamente o contrário ou, melhor, nada fez. Cabinda continua a ser um cemitério de obras paralisadas! A grande questão que se coloca é: qual terá sido a intenção dessa visita num clima tão adverso? Provavelmente a equipa de avanço terá feito um levantamento exaustivo da situação actual. Isso pode ter jogado muito nessa decisão da última hora com todas as consequências políticas que dali advém. Não hajam dúvidas de que tendo em conta o contexto de Cabinda onde ainda subsiste um conflito político-militar essa decisão não pode ser indiferente. Alguma coisa está a fervilhar no inner cicle que pode vir a ser mais uma jogada do nosso mestre de xadrez. O tempo dirá!..

3. Fica uma lição para os governantes. Não devem investir engenho e fadiga para agradar o chefe, mas para servir o povo. Não é preciso que venha cá o PR para embelezar a cidade com operações cosméticas emergenciais. Usem a mesma criatividade e recursos para dar aos cidadãos uma vida condigna.

Por ora, satis!

Texto de Raúl Tati

11/08/021

© 2021 MBEMBU BUALA PRESS-VOZ DE CABINDA, PELA VERDADE E JUSTIÇA – CABINDA – ACIMA DE TUDO E DE TODOS

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